Gasolina brasileira custa 61,1% mais que a internacional

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timtApesar da baixa cotação internacional do petróleo, o preço médio da gasolina no mercado doméstico subiu. Segundo cálculos da RC Consultores, a gasolina brasileira já custa 61,1% mais que o preço internacional. Isso ocorre por conta do poder quase monopolista que a Petrobras detém dos mercados de produção e importação de derivados no Brasil, que impede que a diferença de preços seja repassada para o consumidor, segundo os analistas. Entretanto, a petroleira começa a ganhar com essa disparidade nos preços.

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Nos últimos sete meses, a cotação internacional do petróleo teve uma queda de 60%, enquanto o preço médio da gasolina no mercado doméstico subiu 2,4% de junho para cá, de acordo com os dados compilados pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). A alta foi maior ainda no caso do diesel, com um aumento de 4,4%. Em meados de junho de 2014, o petróleo iniciou sua queda livre. O barril do tipo Brent, que na época, custava mais de US$115, devido à pressão por conflitos no Iraque, chegou a US$47 na última terça-feira, 13.

No Brasil, a gasolina custava em média R$ 2,957 em junho passado e saía por R$ 3,029 entre 28 de dezembro e 3 de janeiro. Enquanto os consumidores brasileiros observaram um aumento no preço da gasolina, os consumidores americanos viram os preços caírem por mais de cem dias consecutivos, chegando a atingir o menor patamar desde maio de 2009.

“Nos EUA, já se prevê que a inflação do país ficará zerada este ano com a queda dos combustíveis. Lá, os preços da commodity são muito rapidamente repassados aos consumidores, pois impera a lógica do mercado. Existem 175 refinarias privadas nos EUA. No Brasil, como a Petrobras tem praticamente um monopólio desse mercado, é ela que decide os preços, prerrogativa que acaba sendo, na prática, do Ministério da Fazenda”, afirmou Adriano Pires, sócio-diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE). “Como o governo usa a Petrobras para controlar a inflação e para fins políticos, a empresa subsidia o consumidor quando o petróleo está em alta, e o consumidor subsidia a companhia quando o produto está em baixa”.

Política brasileira do petróleo

De acordo com uma política exigida por Brasília para reduzir a inflação, a Petrobras manteve os preços internos mais baixos que os do mercado internacional nos últimos anos. Com isso, a petroleira teve duras perdas, já que importa grande parte dos combustíveis que vende no mercado doméstico. Entre 2011 e 2013, o prejuízo da chamada conta de abastecimento com gasolina e diesel foi de R$ 70,9 bilhões. No primeiro semestre de 2014, o resultado ficou negativo em R$ 13,3 bilhões.

Com o adiamento da divulgação do balanço financeiro referente ao terceiro trimestre, por conta do escândalo de corrupção, não é possível saber ao certo como evoluiu essa relação. Mas o CBIE estima que, se a Petrobras estivesse cobrando 41,5% pela gasolina e 30% mais pelo diesel, a companhia estaria ganhando R$ 2,9 bilhões por mês com a queda do petróleo. Número este que seria um alívio no caixa de uma empresa endividada e com acesso restrito ao mercado de capitais por causa do escândalo.

A Petrobras informou que sua política de preços visa a “não repassar a volatilidade dos preços internacionais ao consumidor doméstico, seja para mais ou para menos”. Atualmente, há pouca perspectiva de redução dos preços dos combustíveis no Brasil.

 

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