Eleições: entre o pânico, o medo e o “será?”

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Por Claudio Schamis
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medoO primeiro debate entre os presidenciáveis, que aconteceu nesta última terça-feira, 26, nos apresentou algumas novas figuras ainda mais para quem não acompanha política e passa longe do canal da TV Câmara ou do Senado (que nas pesquisas aparecem como “outros”). E que figuras são também os candidatos a ocupar o cargo mais alto dessa “bagaça”, como a candidata Luciana Genro do PSOL, o Eduardo Jorge pelo PV, Levy Fidelix pelo PRTB e o Pastor Everaldo pelo PSC. Os outros candidatos, (é, temos outros candidatos) nem foram convidados por não terem nenhuma representatividade.

Agora posso afirmar que depois desse debate começa, enfim, a nossa caminhada para algum lugar; só não sei que lugar é esse ainda. Se esse lugar dependesse somente do meu voto eu diria na lata para onde estaríamos indo. Mas, como é o meu voto mais o de meia dúzia de doze, usando a matemática que a Dilma conhece, vamos ter que aguardar um pouco mais e rezar. Mas rezar bem forte.

Fora o despreparo de alguns candidatos, e que olhando para a figura deles nos faz questionar, pelo menos eu me questionei, como pode isso representar o Brasil no mundo? Será que realmente somos um país sério? Essas pessoas são loucas de se candidatar? O que são elas? O fato de conseguirem se eleger como deputados não é regra de que essa pessoa tenha aquela coisa que um presidente tem que ter. Aquele “it”. Aliás, quem tinha um “it” legal foi Fernando Henrique Cardoso. Assim como Bill Clinton tinha o dele e Barack Obama tem o dele. Não estou aqui nem julgando as ações, o mandato, o que fez ou deixou de fazer, estou falando simplesmente do “it”, do que quando a pessoa é olhada passa para quem o está olhando.

Então, o debate foi até calmo – houve ataques sim, mas brandos – perto do que já vimos no passado, o que me fez cochilar em alguns momentos, mas que no fim pode ter começado a dar uma ideia do que teremos.

Para mim, pelo menos, ficou claro que há o pânico da Dilma, apesar de tudo, ganhar mais quatro anos, há o medo de Marina ganhar e virar o Brasil do avesso com suas ideias do que chamou de “nova política”, com sua “bipolaridade” de ora está aqui, ora está acolá e com a ideia de ressuscitar o falecido CPFM, pelo qual votou a favor para melhorar a Saúde, mas que cá entre nós se tivesse servido para alguma coisa a nossa Saúde não estaria debilitada quase chegando a óbito hoje.

Eu olho para a Marina e não sei ainda o que vejo. Vejo um ponto de interrogação e uma figura estranha, esmirrada sem porte de presidente.

E temos o “será?”, representado pela figura de Aécio Neves, que parece o mais coerente, o mais sensato e o mais preparado para dar ao Brasil a guinada que ele precisa e que nós merecemos depois de doze anos do PT no poder.

Uma coisa é certa ainda é cedo para comemorarmos alguma coisa, mas não temos também muito tempo pela frente. O tempo voa e precisamos de verdade, se quisermos mudar alguma coisa, ouvir outro debate, e outro e mais outro. Decidir só pela propaganda de cada um dos candidatos não é certo e nem honesto – mas isso não é culpa nem dos candidatos e sim da lei eleitoral. O que vale avaliar são os embates travados nesses encontros, pois propaganda por propaganda tem sempre aquela que pode ser enganosa e que nos caímos – nós vírgula, vocês que votaram no PT, eu nunca me enganei – por mais de uma vez. Três para ser preciso. E acho que já deu para ver que chegamos no basta de PT & Cia.

Vai entender isso. Explica aí, TSE!

Como pode um peixe vivo viver fora da água fria? Essa é até fácil, só não é fácil entender como metade dos fichas-sujas do Rio de Janeiro conseguiu aprovar a própria candidatura e ameaçam sujar mais o que já está imundo?

O que me assusta é que nem todos sabem quem são os fichas-sujas. Deveria ser lei e ter dentro da cabine de votação uma lista de todos os candidatos elegíveis, mas que são fichas-sujas. Fica muito fácil para o TSE dizer que a lei existe, e usar como desculpas que há furos na lei e logo existem maneiras de burlá-la. Então que os homens da lei sentem e façam uma lei mais blindada.

No Distrito Federal, o TSE anulou a candidatura de José Arruda para o governo do estado, mas ele ainda pode recorrer da decisão e, enquanto isso, sua campanha continua de vento em popa. Outra coisa que os homens da lei deveriam mudar é essa coisa de poder recorrer, pois, imagina, a campanha continua, ele é eleito – o que não seria nenhum espanto, já que ele ainda lidera as pesquisas – e a decisão deles sai somente depois. E se ela for desfavorável? Vão convocar novas eleições? Sabe que isso não é simples nem barato. Mas é a cara do Brasil.

Cá entre nós, depois do que o Arruda fez, ele estar liderando as pesquisas me deixa somente uma certeza. A gente merece os políticos que temos. Infelizmente.

O povinho ruim de urna!

Enquanto isso também…

Dilma, a sem noção, apareceu agora defendendo Graça Foster, a presidente da Petrobras, dizendo que a questão das doações dos imóveis que ela fez – e que o ex-diretor Nestor Cerveró também fez – aos seus filhos já está toda esclarecida.

Agora eu pergunto: o que a Dilma tem a ver com as calças?  Não deveria ela estar mais preocupada com outros assuntos?

Isso soa até meio estranho: a presidente Dilma, que está envolvida no caso Pasadena, ficar se manifestando da forma que ela fez. Aí tem. Tem que ter.

Zé Dirceu, meus pêsames!

Estou com os pêsames guardados desde a metade do mês e gostaria de aproveitar para dizer que sou solidário a sua pessoa, pois deve ser muito chato, muito humilhante para um ex-ministro da Casa Civil ser rebaixado no emprego, passando de bibliotecário a digitador. Sei que a classe dos Bibliotecários está em festa, pois não tem mais o senhor sujando a classe deles. Mas, se o salário não mudar, não deve nem ter tanta importância um título, já que como ex-ministro você foi preso, não é verdade?

E cá entre nós, coitado dos digitadores né?

Salve as baleias. Não jogue lixo no chão. Não fume em ambientes fechados.

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