‘Homo sapiens’ pode ter surgido no Oriente Médio

Um estudo de arqueólogos da Universidade de Tel Aviv sugere que o Homo sapiens surgiu Oriente Médio há cerca de 400 mil anos por consequência do desaparecimento dos elefantes, que eram a principal fonte de alimentação do Homo erectus. Hoje, a teoria mais aceita é a de que o Homo sapiens surgiu na África há 200 mil anos.

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O arqueólogo Ran Barkai, explica que o desaparecimento dos elefantes da região geográfica do Levante – onde hoje se encontram Síria, Líbano, Jordânia, Israel e os territórios palestinos – levou à evolução do Homo erectus ao Homo sapiens. “Quando os elefantes desapareceram, o Homo Erectus foi obrigado a buscar outros alimentos e teve que desenvolver uma agilidade mental e instrumentos que não tinha antes”, disse Barkai à BBC Brasil.

O Homo sapiens tem um cérebro muito mais desenvolvido do que o do seu antecessor Homo erectus. A teoria de que a evolução teria sido impulsionada por necessidades de nutrição explica a evolução mais cedo no Oriente. Os pesquisadores explicam que, enquanto que no Oriente Médio os elefantes desapareceram há 400 mil anos, na África isso só aconteceu 200 mil anos depois.

Humanos modernos evoluíram na África há 200 mil anos, diz Barkai, e o paradigma mais aceito até então é o de que foi a primeira aparição do Homo sapiens. Descobertas arqueológicas nos dizem que os elefantes na África desapareceram junto com a cultura Aucheliana e com a emergência de humanos modernos lá. Apesar de ainda encontrarmos elefantes na África hoje, poucas espécies sobreviveram e não há evidências de que o animal possa ser encontrado em sítios arqueológicos com menos de 200 mil anos. A semelhança com as circunstâncias no Oriente Médio há 400 mil anos não é coincidência, dizem os pesquisadores. As descobertas sobre os elefantes e a dieta do Homo erectus não apenas dão uma explicação há muito aguardada para a evolução dos humanos, mas elas também põem em questão o que os cientistas sabem sobre o “local de nascimento” do homem moderno.

A equipe do Departamento de Arqueologia da Universidade de Tel Aviv faz escavações na caverna Qesem, em Israel, perto da cidade de Rosh Haain desde 2000. No ano passado a equipe anunciou a descoberta de sinais de que o Homo sapiens já existia há 400 mil anos. “Desde a descoberta, há um ano, fizemos um trabalho de integração de todos os dados e chegamos à conclusão de que a nutrição é a chave do enigma”, disse Barkai.

Durante a análise das descobertas das escavações (desde instrumentos, restos humanos e de animais), a equipe concluiu que os instrumentos sofisticados, como pequenas facas fabricadas de maneira “sistemática”, só foram descobertos em camadas nas quais já não havia elefantes. Barkai explicou que o Homo erectus usava instrumentos maiores e menos sofisticados para caçar e repartir a carne dos elefantes. “O Homo erectus comeu elefantes durante 1 milhão de anos. Instrumentos mais sofisticados e menores são associados ao Homo sapiens“, afirmou.

A pesquisa

Os pesquisadores compararam suas descobertas com pesquisas feitas na África e verificaram que lá o surgimento do Homo sapiens também só aconteceu após o desaparecimento dos elefantes. Isso contribui para a tese de que a evolução humana teve ligação direta com a necessidade de buscar novas fontes de alimentos que eram menores e mais difíceis de caçar do que os elefantes.

Segundo Barkai a publicação do estudo suscitou ligações do mundo inteiro de cientistas interessados nas descobertas. “Com esse estudo conseguimos fornecer uma explicação para o aparecimento de resíduos com a idade de 400 mil anos, do Homo sapiens, na caverna de Qesem”, afirmou.

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

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