23 candidatos já estiveram atrás das grades

Por Thomaz Pires e Edson Sardinha – congressoemfoco.com.br

Levantamento do Congresso em Foco mostra que pelo menos 23 postulantes a cargos nas eleições deste ano já foram presos em operações das polícias Federal e Civil.
 
Além de ter sido preso, Maluf é procurado pela Interpol. Como ele, há 22 outros candidatos que já estiveram atrás das grades.

Eles estarão nas urnas eletrônicas do país no próximo domingo (3), esperando pelo seu voto. Mas já estiveram em momentos recentes na cadeia. Na última semana antes das eleições, o Congresso em Foco pintou-se de amarelo para lembrar que o ato de votar exige atenção redobrada. E, nesse sentido, o site tem apresentado situações que merecem um sinal de alerta. São fatos públicos, lembrados apenas para balizar a escolha do eleitor.

Levantamento do Congresso em Foco mostra que 23 postulantes passaram pelo cárcere em decorrência de investigações aprofundadas contra crimes como formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, fraudes em licitações, corrupção passiva e desvio de recursos em obras públicas. Mesmo com os desgastes gerados, os candidatos encontram-se firmes na disputa e há menos de uma semana de concorrer a um novo mandato.

Ao todo, foram 14 operações especiais realizadas nos últimos anos e que prenderam, além dos atuais 23 candidatos presentes na disputa eleitoral, mais de 200 acusados, entre assessores especiais nas Assembleias dos estados, pessoas ligadas ao Poder Judiciário, servidores concursados e dirigentes de partidos.

O partido Democratas (DEM) e o Partido Progressista (PP) somam o maior número de candidatos detidos nas operações da Polícia Federal e Civil. Ambos tiveram quatro filiados com os passos vigiados e acusados de cometerem crimes graves de corrupção. Em seguida aparecem as legendas PDT, PSDB, PTB, PSL e PRTB, todas com dois representantes detidos por denúncias investigadas pelos Ministérios Públicos Federais nos estados.

Waldez, Jader, Neudo, Maluf

Alagoas e Amapá são os estados que lideram no número de candidatos detidos. Ambos contam com três parlamentares presos em flagrante nas operações Ressurge, Taturana e na recente Mãos Limpas, que envolveu o atual governador do Amapá, Pedro Paulo Dias (PP), o ex-governador Waldez Góis (PDT) e o presidente do Tribunal de Contas do estado, José Júlio Miranda.

Além dos políticos do Amapá detidos recentemente na Operação Mãos Limpas, a lista de candidatos que já foram presos inclui o candidato a senador pelo Pará Jader Barbalho (PMDB), levado algemado durante a Operação Navalha, acusado de comandar uma “organização criminosa” que fraudou em R$ 132 milhões a extinta Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). Jader é apontado como beneficiário dieto do esquema e de ter pessoalmente desviado R$ 14 milhões.  Neudo Campos , candidato pelo PP de Roraima a deputado fedral foi preso em 2003 na Operação Gafanhoto, acusado de liderar um esquema de falsas folhas de pagamento no Estado, chamado de esquema dos “gafanhotos”. Paulo Maluf, que tenta a reeleição como deputado federal pelo PP de São Paulo, foi preso pela Polícia Federal em 2005, acusado de crimes como corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Ele ainda tem seu nome incluído como procurado pela Interpol: se deixar o país, será imediatamente preso.

Posicionamento

O Congresso em Foco entrou em contato com os candidatos para obter esclarecimentos a respeito das operações que resultaram nas prisões. Dos poucos retornos obtidos, a maior parte atribui excessos cometidos pelos agentes das polícias e acusações infundadas ou resultantes de desafetos políticos. Além disso, as defesas dos candidatos destacam o fato de não haver nenhum impedimento político, à luz da atual Lei eleitoral, que impressa a participação no pleito em razão dos processos em acusações não terem sido julgados.

Mesmo com processos e fichas criminais positivas, os candidatos não tiveram os registros na campanha indeferidos pelas justiças eleitorais nos estados. O fato dos processos ainda estarem em andamento, e não existir condenação, permite que os acusados disputem as eleições dentro dos atuais parâmetros estabelecidos pela atual Lei eleitoral. A possibilidade de mudança ainda é objeto de discussão por parte das entidades que militam no assunto com o objetivo de afastar da corrida eleitoral candidatos que já tenham sido presos.

Sinal amarelo

Diretora do Movimento de Combate à Corrupção (MCCE), Jovita José Rosa argumenta que a atual lei eleitoral ainda apresenta buracos e brechas que permitem aos candidatos disputarem o pleito. Segundo ela, a luta para aplicar a Lei da Ficha Limpa já nesta eleição poderá abrir caminhos para que a Lei seja endurecida. “Não podemos aceitar que esses candidatos que já foram algemados em alguns casos sejam os nossos representantes. É nosso dever alertar o eleitor a ser muito cauteloso neste momento”, afirma.

Segundo Jovita, no que depende apenas da posição do MCCE, o fato do candidato ter sido alvo de investigação que resultou na sua prisão oferece elementos suficientes para que ele seja considerado “ficha suja”.  “A vida pregressa do candidato é o maior referencial para que ele seja considerado ficha limpa. Não estamos preocupados apenas com as condenações de órgãos colegiados. Uma prisão diante de várias provas documentadas e denúncias de corrupção também deveria ser suficiente para barrar o candidato”, defende.

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