Arquivo de outubro de 2010

Dilma: a carta que Lula tirou da manga

domingo, 31 de outubro de 2010

Ele a conhecera no Rio Grande do Sul, como secretária de Minas e Energia. Na montagem do primeiro ministério, em 2002, ele desautorizou um acordo já fechado por José Dirceu com o PMDB e entregou a ela a pasta de Minas e Energia

Dilma: a carta que Lula tirou da manga

domingo, 31 de outubro de 2010

Tereza Cruvinel
Especial para a Agência Brasil

Brasília – Dilma Vana Rousseff já teve muitas vidas, muitos nomes e muitos projetos de vida. O que ela nunca imaginou é que seria a primeira mulher brasileira a conquistar, pelo voto, o mais alto cargo da República, até agora ocupado só por homens. Ela foi eleita presidente com 55,5 milhões de votos, correspondentes a 56,01% dos votos válidos, derrotando José Serra, do PSDB, que teve43,606 milhões de votos, ou 43,99% do total de votos validos (com 99,56% das urnas apuradas).

Muita gente, dentro e fora do governo, também achava que isso seria impossível: embora a política tenha marcado toda a sua vida, Dilma nunca havia disputado antes uma eleição.

“Dilma não tem jogo de cintura eleitoral”, “Dilma é durona e carrancuda”, “Dilma é uma técnica sem carisma”. “Dilma não tem trânsito entre os partidos e os políticos”. Tudo isso e muito mais foi dito sobre a então ministra-chefe da Casa Civil, quando, ainda em 2008, começou a circular a notícia de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pensava nela como candidata a sua sucessão.

No segundo mandato, a aprovação do governo e a popularidade do presidente Lula alcançaram índices inéditos, e isso foi possível porque, depois de ajustar as contas públicas no primeiro mandato, a política econômica, combinada com a política de distribuição de renda e os programas sociais começou a produzir excelentes resultados: a economia crescia, gerava mais empregos, a renda dos mais pobres aumentava, a desigualdade diminuía, o país se tornava melhor internamente e mais respeitado lá fora. Na era Lula, cerca de 28 milhões de pessoas deixaram a pobreza extrema e ascenderam socialmente.

Mas esse paraíso político foi precedido de um inferno zodiacal. No primeiro mandato esses resultados ainda não haviam aparecido. Além de ter feito um ajuste fiscal necessário, mas que atrasou a retomada do crescimento, o governo enfrentou escândalos que minaram a popularidade de Lula e do PT.

Os nomes fortes do partido, que poderiam ter sido alternativas sucessórias para 2011, foram todos queimados nas crises do primeiro mandato. José Dirceu, ex-chefe da Casa Civil, foi cassado no escândalo do mensalão, e o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci foi alvejado pela quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo.

Na substituição de Dirceu, Lula surpreendeu a todos ao descartar quadros políticos do PT e dos partidos aliados e convidar Dilma, então ministra de Minas e Energia, de perfil eminentemente técnico. Lula pediu-lhe um choque de gestão na Casa Civil e uma atuação mais gerencial e menos política. Era exatamente o que ela sabia fazer.

Mas esta não foi a primeira vez que Lula surpreendeu com o nome de Dilma. Ele a conhecera no Rio Grande do Sul, como secretária de Minas e Energia do governo do petista Olívio Dutra. Na montagem do primeiro ministério, em 2002, ele desautorizou um acordo já fechado por seu coordenador político José Dirceu com o PMDB e entregou a ela a pasta de Minas e Energia.
Ali, Dilma trabalhou duro para evitar um novo apagão elétrico, como o que houvera no governo de Fernando Henrique, desenvolveu o Programa Luz para Todos, planejou a construção de novas hidrelétricas e a diversificação da matriz energética brasileira. Essa dinâmica é que Lula queria na Casa Civil. E Dilma não o decepcionou. Passou a coordenar as ações de todo o governo e ganhou fama de durona.

“Até parece que vivemos cercadas por homens meigos e delicados”, ironizou Dilma na época.

A ministra havia brigado pela redução do superávit fiscal para que sobrassem mais recursos para investimentos em obras de infraestrutura, que criam as bases para o crescimento de longo prazo, aquecem a economia e geram empregos. No final do primeiro mandato, já havia dinheiro para isso e ela elaborou o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), pedido por Lula. O programa foi lançado em janeiro de 2007, nos primeiros dias do segundo mandato.

O PAC previa investimentos de R$ 500 bilhões em quatro anos, em grandes obras de infra-estrutura, como portos, ferrovias e hidrelétricas, gastos com obras em favelas e o financiamento habitacional maciço, como o programa Minha Casa, Minha Vida.

Foi na inauguração de obras de saneamento e habitação numa favela do Rio de Janeiro, o Complexo do Alemão, no dia 7 de março de 2008, que Lula começou a escolher sua sucessora. “A Dilma é uma espécie de mãe do PAC. É ela que cobra, junto com o Marcio Fortes [ministro das Cidades], se as obras estão andando. e agora vocês também vão ver o que é ser cobrado pela Dilma.”

Em recente entrevista à TV Brasil Internacional, Lula nos contou, no intervalo da gravação, que naquele dia começou a amadurecer a ideia de que Dilma poderia ser a candidata que ele não tinha para a sucessão que se aproximava. A oposição tinha dois nomes fortes, Aécio Neves e José Serra, ambos já provados nas urnas. Dilma não tinha experiência eleitoral, mas representava uma novidade. Era mulher, pensava o presidente. Se conseguisse transferir para ela uma parte de sua imensa popularidade, poderia elegê-la.

Ela surpreendeu-se com a confidência, mas não recusou a ideia. Dilma sabia de todas as dificuldades que seu nome enfrentaria, inclusive dentro do PT. Lula tratou disso com os dirigentes do partido. Dilma não era mesmo um quadro histórico, mas o partido também não tinha outro nome. Quem tinha a força era Lula e sua indicação foi prontamente aceita. O PT a escolheu oficialmente em fevereiro deste ano. Dilma deixou o governo, juntamente com dez ministros, em 31 de março para enfrentar a aventura eleitoral.

Muitos nomes, muitas Dilmas

Mas quem é esta mulher que, tendo pensando em ser bombeira ou trapezista, tendo enfrentado a prisão e a tortura por causa de suas ideias políticas, mas nunca tendo disputado uma eleição, torna-se a primeira presidente do Brasil?

Embora não tivesse mesmo disputado qualquer eleição antes, a política sempre foi o motor da vida de Dilma. Sua atuação começou no movimento estudantil, no segundo grau e depois na universidade, combatendo a ditadura militar. A militância a levará para a clandestinidade e para a prisão. Enfrentará a tortura nos porões do Dops (Departamento de Ordem Política e Social) e três anos de reclusão no Presídio Tiradentes.

Tudo começou em Belo Horizonte, onde ela nasceu em 14 de dezembro de 1947. Seu pai, Pedro Rousseff, foi um imigrante búlgaro. Chegou ao Brasil nos anos 30, casou-se com uma professora chamada Dilma e tiveram três filhos, formando uma típica família de classe média.

Dilma, a mais velha, estudou primeiro num colégio de freiras tradicional, o Sion, onde tomou gosto pelos livros, principalmente os de literatura. Há pouco tempo, ficou sabendo que só ela e mais três colegas do Sion seguiram carreiras profissionais. As outras tornaram-se donas de casa, como era o costume.

No ano de 1964, em que os militares derrubaram o presidente João Goulart, dando início à ditadura, Dilma entrou para o Colégio Estadual Central, foco da agitação estudantil secundarista da capital mineira. Três anos depois passa no vestibular para economia, na UFMG, e ingressa na organização esquerdista Polop, tornando-se uma líder estudantil importante, culta e combativa.

Nesse tempo aconteceram coisas importantes na vida de Dilma. Conquistou amigos que tem até hoje, como o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel, e o hoje deputado José Aníbal, do PSDB. Namorou com Cláudio Galeno e com ele teve um casamento que durou pouco. A vida agitada e o mergulho que foi obrigada a dar na clandestinidade não ajudaram.

Nessa época, a Polop se transforma em Colina – Comando de Libertação Nacional, que irá se fundir com a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), formando a VAR-Palmares. A VAR-Palmares fez algumas ações armadas contra a ditadura, mas Dilma, que atuava em estratégia e planejamento, não participou de nenhuma delas. Na campanha, entretanto, essa passagem de sua vida foi muito explorada.

Na clandestinidade, como mandavam os manuais de segurança, Dilma usou vários codinomes. Chamou-se Luiza, Wanda, Marina, Estela, Maria e Lúcia. Separa-se de Galeno, que vai para o exílio, e conhece Carlos Franklin de Araújo, que vem a ser seu segundo marido e pai de sua filha Paula.

Em 1970  Dilma é presa e brutalmente torturada durante várias semanas. Depois é condenada a três anos de reclusão, tempo em que passou sobretudo no Presídio Tiradentes, onde o marido Carlos Araújo também cumpria pena em outra ala. Três anos depois, após serem libertados, constroem uma vida juntos no Rio Grande do Sul, onde nasce Paula, que no final do primeiro turno, dará a Dilma seu primeiro neto, Gabriel.

Em Porto Alegre, já em liberdade, Dilma consegue terminar o curso de economia e a seguir cursa o mestrado. Atua, com o marido, nos movimentos pela anistia e pela redemocratização. Ajudam a fundar no estado o PDT de Leonel Brizola.

Em 1986, o pedetista Alceu Collares elege-se prefeito de Porto Alegre e convida Dilma para ocupar a Secretaria Municipal de Fazenda. Collares elege-se governador em 1990 e ela se torna secretária estadual de Minas, Energia e Comunicação.
 
O governo de Collares era fruto de uma aliança entre o PDT e o PT, que se romperá em 1994. Dilma faz então a opção pelo PT, filiando-se ao partido. Outra aliança que se rompe nessa época é a matrimonial. Separa-se do marido Carlos Araújo, embora preservem grande amizade e cumplicidade até hoje.

Foi como secretária de Minas e Energia que Dilma conheceu Lula e despertou seu interesse, valendo-lhe, mais tarde, a nomeação para a pasta de  Minas e Energia.

Um câncer no caminho

A caminhada para a Presidência não foi fácil. Com a candidatura já definida por Lula e aceita pelo PT, Dilma descobre, no inicio de 2009, que tinha um câncer linfático. O anúncio da doença, no dia 25 de abril, foi uma decisão corajosa.

No primeiro momento, a candidatura foi dada como inviável. Ela poderia não vencer a doença e, mesmo que vencesse, o eleitorado poderia rejeitar seu nome, temendo o pior. Os médicos garantem chances de cura superiores a 90%. Dilma faz sessões de quimioterapia, perde o cabelo e usa peruca por uns tempos, sem interromper a rotina de trabalho na Casa Civil. No final do ano, os médicos a declaram curada.

No final de 2009, a sua saúde vai bem e a popularidade do presidente, melhor ainda. Dilma volta a um hospital, mas agora para cuidar da imagem. O conselho fora de Lula. Ela faz uma plástica e reaparece em público, em 2010, com a fisionomia mais jovem e descansada. Está começando a batalha eleitoral.

Mas ela começa em desvantagem. Em fevereiro deste ano, tinha uma média de 28% de preferência e José Serra, do PSDB, sempre mais de 40%. O primeiro empate acontece em maio deste ano, mas surge um fator inesperado, o crescimento da candidatura de Marina Silva, que trocara o PT pelo PV.

A campanha começa para valer em agosto e o presidente Lula entra em campo, garantindo a transferência de votos de que muita gente duvidava. Em 15 de maio deste ano, o instituto Vox Populi divulga a primeira pesquisa em que Dilma, com 38%, ultrapassa José Serra, com 35%.

Diferentes institutos apontam a vitória de Dilma no primeiro turno de 3 de outubro por mais de 50% dos votos, mas ela obtém apenas 47% dos votos. Os analistas apontam duas causas para o segundo turno. O crescimento da candidata Marina Silva, do PV, e uma forte onda de boatos, inclusive pela internet, acusando Dilma de ser a favor do aborto e do casamento entre homossexuais. Ela perde milhões de eleitores entre católicos e evangélicos.

No segundo turno, a campanha é agressiva, os candidatos sobem o tom nos debates e o presidente Lula volta à arena eleitoral. Mas desta vez ela alcança a maioria necessária e torna-se a primeira presidente eleita do Brasil.

Edição: Nádia Franco

Dilma Rousseff, um histórico

domingo, 31 de outubro de 2010

Dilma Vana Rousseff nasceu em 14 de dezembro de 1947, em Uberaba, Minas Gerais, e é filha do engenheiro e poeta búlgaro Pétar Russév (naturalizado brasileiro como Pedro Rousseff) e da professora brasileira Dilma Jane Silva

Dilma Rousseff, um histórico

domingo, 31 de outubro de 2010

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

A candidata à presidência do Brasil, pelo Partido dos Trabalhadores, é mineira e descendente búlgara. Dilma Vana Rousseff nasceu em 14 de dezembro de 1947, em Uberaba, Minas Gerais, e é filha do engenheiro e poeta búlgaro Pétar Russév (naturalizado brasileiro como Pedro Rousseff) e da professora brasileira Dilma Jane Silva. Quando criança, a candidata estudou nos colégios Isabela Hendrix e Sion. Aos 16 anos, enquanto estudava no Colégio Estadual Central, se envolveu na Organização Revolucionária Marxista – Política Operária (Polop) como simpatizante.

Em 1967, na faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Minas Gerais, Dilma militou no Comando de Libertação Nacional (Colina) — que defendia a luta armada. Durante a ditadura militar, ela usou vários codinomes para despistar a repressão. Em 1969, quando houve um racha na Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares), Dilma preferiu ficar no grupo. O VAR-Palmares foi responsável pelo roubo de US$ 2,4 milhões para a guerrilha, do cofre do ex-governador de São Paulo Adhemar de Barros.

Ela foi presa em 1970, em São Paulo, e na época foi chamada de “papisa da subversão”. Enquanto estava detida, foi torturada na Operação Bandeirantes (Oban). Dilma foi condenada em três estados, mas foi liberta, em 1973, devido à redução de pena pelo Superior Tribunal Militar. Ela passou a morar em Porto Alegre e a cursar Ciências Econômicas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, onde concluiu graduação.

Quanto à qualificação de mestrado e de doutorado da candidata, há divergências de informação. Enquanto o site do Ministério da Casa Civil afirma a posse dos créditos por Dilma, alguns sites de notícias divulgam que ela não teria defendido os respectivos trabalhos de conclusão de curso, dissertação e tese. Diante disto, o Opinião e Notícia procurou a assessoria de imprensa da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) para checar as informações, porém, não houve retorno de contato, mesmo após duas semanas de insistência.

Dilma se filiou ao Partido Democrático Trabalhista (PDT), em 1979, passando para o Partido dos Trabalhadores em 2001. Sua trajetória política inclui os seguintes cargos: Secretária da Fazenda de Porto Alegre (1986-1988), Presidente da Fundação de Economia e Estatística do Estado do Rio Grande do Sul (1991-1993) e Secretária de Estado de Energia, Minas e Comunicações do Rio Grande do Sul (1993-1994 e 1999-2002).

Ela também coordenou, em 2002, a equipe de infraestrutura do governo de transição. No governo de Lula, atuou em 2003 no programa de energia, sendo ministra de Minas e Energia. A partir de 2005, passou a ocupar o cargo de ministra-chefe da Casa Civil, além de coordenar o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O estado de saúde de Dilma foi manchete nos jornais no ano passado, quando tratou de um câncer no sistema linfático.

O nome da candidata esteve envolvido nos últimos anos em algumas denúncias, como na montagem de um suposto dossiê de gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, para conter a oposição que pedia a divulgação das contas de Lula, mediante o escândalo dos cartões corporativos; outro foi a venda da Varig, em que a Casa Civil teria influenciado a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) na negociação; e também em um suposto pedido da ministra à ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira para concluir rapidamente a investigação das empresas da família Sarney.

Marina Silva recomenda a Dilma a ‘sagacidade das serpentes’

domingo, 31 de outubro de 2010

A senadora Marina Silva comentou na noite deste domingo, em Brasília, a vitória de Dilma Roussef à Presidência do Brasil. “Parabenizo a ministra Dilma por ter sido eleita presidente e a primeira mulher presidente do Brasil”, afirmou em entrevista na noite deste domingo (31), em Brasília.

Marina Silva recomenda a Dilma a ‘sagacidade das serpentes’

domingo, 31 de outubro de 2010

Fonte: votebrasil.com

Segundo ela, presidente eleita também deve ter a ‘simplicidade dos pombos’. Senadora disse que insistirá na construção de ‘uma terceira via política’.

A senadora Marina Silva (PV-AC) comentou na noite deste domingo, em Brasília, a vitória de Dilma Roussef (PT) à Presidência do Brasil.

“Parabenizo a ministra Dilma por ter sido eleita presidente e a primeira mulher presidente do Brasil”, afirmou em entrevista na noite deste domingo (31), em Brasília.

Marina disputou a eleição, mas ficou em terceiro lugar no primeiro turno, com cerca de 20 milhões de votos. Ela não revelou em quem votou no segundo turno.

A senadora desejou “boa sorte” a Dilma e disse que a nova presidente deve ter no cargo “a simplicidade dos pombos e a sagacidade das serpentes”.

Marina disse que sua decisão de ter ficado independente e não ter apoiado candidatos no segundo turno foi favorável para o processo democrático.

A senadora afirmou que sua atuação daqui para a frente vai se pautar pela construção de uma terceira via política. “Ela [a terceira via] ainda é um embrião”, disse.

Segundo a senadora, mesmo “sendo escolhida por apenas uma parte [do eleitorado], a presidente passará a ser representante de todos”.

Dilma promete garantir liberdade de imprensa e religiosa

domingo, 31 de outubro de 2010

Ao lado do seu vice, Michel Temer, a petista registrou como compromisso de sua gestão valorizar o direito democrático à opinião e à expressão. “Eu vou zelar pela mais ampla e irrestrita liberdade de imprensa, pela mais ampla liberdade religiosa e de culto”, prometeu.

Dilma promete garantir liberdade de imprensa e religiosa

domingo, 31 de outubro de 2010

Fonte: votebrasil.com

A presidente agradeceu ainda os órgãos de imprensa nacionais e internacionais pela cobertura das eleições e ponderou que, em momentos da campanha.

No primeiro discurso como presidente eleita do Brasil, em um hotel em Brasília, Dilma Rousseff prometeu hoje que em seu futuro governo irá garantir a liberdade de imprensa e religiosa, temas que geraram polêmica ao longo do segundo turno da campanha eleitoral.

Ao lado do seu vice, Michel Temer (PMDB), a petista registrou como compromisso de sua gestão valorizar o direito democrático à opinião e à expressão. “Eu vou zelar pela mais ampla e irrestrita liberdade de imprensa, pela mais ampla liberdade religiosa e de culto”, prometeu.

Ao longo da campanha presidencial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outras lideranças do PT chegaram a chamar de golpista órgãos da mídia.

A presidente agradeceu ainda os órgãos de imprensa nacionais e internacionais pela cobertura das eleições e ponderou que, em momentos da campanha, a cobertura a deixou triste. “Não nego que às vezes algumas coisas difundidas me deixaram triste”, afirmou. “Mas somos amantes da liberdade”, destacou, arrancando aplausos dos presentes.

Serra diz receber “com respeito voz do povo nas ruas”

domingo, 31 de outubro de 2010

O tucano afirmou que seu discurso não era de despedida, mas de “até logo”. “No dia de hoje os eleitores falaram. Recebemos com respeito e humildade a voz do povo nas ruas. Quero cumprimentar a candidata eleita, Dilma Rousseff, e desejar que faça bem ao nosso país.

Serra diz receber “com respeito voz do povo nas ruas”

domingo, 31 de outubro de 2010

Por Edson Sardinha – congressoemfoco.com.br

O candidato derrotado do PSDB à Presidência, José Serra, cumprimentou a presidente eleita, Dilma Rousseff (PT), pela vitória e desejou à petista que faça “o bem” para o Brasil. Acompanhado da mulher e de lideranças dos partidos que apoiaram sua candidatura, o tucano agradeceu os 43,6 milhões de eleitores que votaram nele e disse que recebia com “respeito e humildade” a voz do povo nas ruas.

O tucano afirmou que seu discurso não era de despedida, mas de “até logo”. “No dia de hoje os eleitores falaram. Recebemos com respeito e humildade a voz do povo nas ruas. Quero cumprimentar a candidata eleita, Dilma Rousseff, e desejar que faça bem ao nosso país. Disputei com muito orgulho a Presidência, quis o povo que não fosse agora. Mas digo de coração que sou muito grato aos 43,6 milhões brasileiros e brasileiras que votaram em mim”, discursou.

José Serra evitou usar tom de lamentação pela derrota e ressaltou que seu discurso era para falar sobre “esperança”. “A maior vitória não foi mérito meu, mas de vocês. Vim aqui não para falar da frustração, mas da confiança e da esperança. Nesses meses duríssimos, vocês alcançaram vitória estratégia, cavaram trincheira, construíram fortaleza, consolidaram campo político de liberdade e defesa da democracia no Brasil e das grandes causas sociais”, declarou.

O ex-governador paulista ressaltou que dez candidatos a governador que o apóiam conseguiram se eleger. Serra agradeceu o apoio do governador eleito de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), de quem recebeu um abraço. “Ele se empenhou na minha eleição mais do que eu na sua”, disse Serra a Alckmin.

O candidato derrotado afirmou ter recebido muita “energia” nessa campanha eleitoral. “Recebi toda energia para essa campanha – foram sete meses desde que saí do governo de São Paulo. Chego hoje com a mesma energia ao longo desses meses. O problema é como despender toda essa energia agora”, declarou o tucano.

“Minha mensagem de despedida não é de adeus, mas de um até logo. A luta continua. Viva o Brasil”, afirmou Serra. O tucano estava acompanhado das principais lideranças do PSDB e do DEM. Entre os presentes no palco, estavam o governador de São Paulo, Alberto Goldman, o senador eleito Aluisio Nunes Ferreira (PSDB-SP), o presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra, o presidente do DEM, Rodrigo Maia, e o deputado Índio da Costa (DEM-RJ), vice de Serra na sucessão presidencial.

Dilma adota tom conciliador para refazer pontes

domingo, 31 de outubro de 2010

Atrás de três petistas moderados – o presidente da legenda, José Eduardo Dutra, e os coordenadores de campanha, Antônio Palocci e José Eduardo Cardozo – Dilma prometeu valorizar a democracia em todas as suas formas em um discurso de 25 minutos na noite deste domingo (31), em Brasília.

Dilma adota tom conciliador para refazer pontes

domingo, 31 de outubro de 2010

Por Eduardo Militão – congressoemfoco.com.br

Em seu primeiro discurso depois de eleita, a nova presidenta faz acenos de paz à oposição e à imprensa e assume o compromisso de seguir e ampliar as políticas do governo Lula.

Eleição ganha, hora de construir as pontes que foram dinamitadas em uma das disputas mais violentas das eleições presidenciais. Em seu primeiro discurso como presidenta eleita, Dilma Vana Rousseff usou um tom conciliador para refazer relações com a oposição e a imprensa, e acalmar os mercados financeiros, as igrejas e os ambientalistas. O discurso surgiu como contraponto a uma campanha de disputas pesadas entre petistas e aliados de José Serra (PSDB), principalmente no segundo turno.

Atrás de três petistas moderados – o presidente da legenda, José Eduardo Dutra, e os coordenadores de campanha, Antônio Palocci e José Eduardo Cardozo – Dilma prometeu valorizar a democracia em todas as suas formas em um discurso de 25 minutos na noite deste domingo (31), em Brasília.

A candidata do PT disse que vai zelar pela “mais ampla” liberdade de imprensa e de culto religioso. “Não nego a vocês que algumas coisas difundidas me deixaram tristes”, afirmou Dilma aos jornalistas. Mas ela reafirmou preferir o “barulho da imprensa livre” ao “silêncio das ditaduras”.

Sem ter recebido até aquele momento nenhum cumprimento público de Serra, Dilma abriu um caminho de paz com os adversários. A petista disse que “estende a mão” à oposição. “De minha parte, não haverá discriminação, privilégios ou compadrios”, prometeu.

Dilma ainda afirmou que cuidará da economia do país com responsabilidade. Afirmou que respeitará os contratos firmados e disse que o povo não aceita mais soluções que passem pelo aumento da inflação e nem que os governos gastem mais do que devem. A petista afirmou que vai melhorar a qualidade do gasto público, além de simplificar e reduzir impostos.

À porta de Lula

A candidata apoiada por Lula, o presidente mais popular da história do Brasil, agradeceu ao padrinho político. Dilma quase chorou quando elogiou a “grandeza e generosidade” do atual presidente. E contou que buscará conselhos quando estiver ocupando o lugar de Lula. “Baterei sempre à sua porta.”

O objetivo de Dilma, segundo ela mesma, será honrar o legado da era Lula, continuar e ampliar a obra do atual presidente.

Em 2002, quando venceu Serra e conquistou a Presidência da República, Lula afirmou que a grande missão de sua vida seria feita se garantisse a todos os brasileiros que realizassem três refeições por dia. Neste domingo, Dilma disse que recebe a missão mais importante de sua vida: garantir a igualdade de oportunidades para todos.

Dilma afirmou que vai erradicar a pobreza. “Não podemos descansar enquanto tivermos brasileiros com fome”, iniciou. A candidata vitoriosa citou as crianças e mendigos nas ruas e os viciados em crack das cidades. Dilma pediu apoio de todos, governo, empresas, igrejas, imprensa, para mudar essa situação.

Novo Congresso é de perfil mais dócil a Dilma que a Serra

sábado, 30 de outubro de 2010

Eleita, a petista Dilma Rousseff terá a sua disposição uma ampla maioria favorável a seu governo dentro do Congresso. Ao todo, as urnas produziram a eleição de 360 deputados e 57 senadores alinhados com seu eventual governo.

Novo Congresso é de perfil mais dócil a Dilma que a Serra

sábado, 30 de outubro de 2010

Fonte: votebrasil.com

Petista teria facilidade maior para aprovar mudanças constitucionais e barrar CPIs que possam incomodar governo.

SÃO PAULO – Se confirmar o favoritismo indicado pelas pesquisas de intenção de voto e for eleita no domingo, 31, a petista Dilma Rousseff terá a sua disposição uma ampla maioria favorável a seu governo dentro do Congresso. Ao todo, as urnas produziram a eleição de 360 deputados e 57 senadores alinhados com seu eventual governo.

Na prática, isso torna muito mais simples aprovar, por exemplo, mudanças constitucionais, que exigem o apoio de três quintos dos parlamentares das duas Casas em dois turnos de votação na Câmara e no Senado.

Facilita também a derrubada de pedidos de abertura de comissões parlamentares de inquérito que possam investigar temas desconfortáveis para o governo.

Com isso, se for eleita, Dilma terá um cenário dentro do Congresso mais favorável do que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva encontrou quando foi eleito pela primeira vez em 2002 e até mesmo depois de sua reeleição em 2006.

Nestes oito anos de mandato, o presidente não teve problemas para controlar politicamente a Câmara dos Deputados, mas nunca conseguiu construir uma maioria parlamentar dentro do Senado.

No fim de 2007, foram os senadores que produziram a maior derrota de Lula no Congresso com a derrubada do projeto que prorrogava a cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).

Agora, se a candidata petista derrotar hoje o tucano José Serra, terá uma bancada muito mais favorável, inclusive no Senado. E isso acontecerá mesmo se forem levadas em conta dissidências nas bancadas de partidos aliados de Dilma, como é o caso de PMDB e PP.

Os peemedebistas passam a contar em 2011 com 21 senadores, mas três deles não devem se alinhar com Dilma, caso ela vença. É o caso dos senadores Jarbas Vasconcellos (PE), Luiz Henrique da Silveira (SC) e, possivelmente, Pedro Simon (RS). No PP, a senadora eleita Ana Amélia Lemos (RS) fez campanha a favor de Serra em seu Estado e também não apoia Dilma.

Do lado oposto, se conseguir reverter a tendência apontada pelas pesquisas, Serra precisará de uma ampla costura política para formatar uma base de apoio a seu favor no Congresso. Hoje, teria a seu lado apenas 125 deputados e 22 senadores.

Na Câmara, porém, a pulverização e volatilidade das bancadas até facilita a atração de novos aliados, especialmente de partidos que sempre flutuam em torno do governo federal, seja ele qual for. Esse comportamento tem sido adotado sem grandes traumas por legendas como PMDB, PR, PP, PTB, entre outros. É improvável que não adotem o caminho de volta em direção a Serra, se ele se tornar o novo presidente.

Senado. Se o tucano vencer, o problema maior ocorrerá no Senado, onde precisaria enfrentar e dobrar senadores com posições políticas mais sólidas. Além disso, precisaria reorganizar suas principais lideranças na Casa, já que PSDB e DEM não conseguiram reeleger alguns de seus senadores mais importantes, como Tasso Jereissati (PSDB-CE), Marco Maciel (DEM-PE), Arthur Virgílio (PSDB-AM) e Heráclito Fortes (DEM-PI), entre outros.

Em compensação, se conseguir virar a tendência apontada pelas pesquisas e se eleger presidente, Serra poderia contar no novo Senado com o reforço de um líder em potencial na figura do ex-governador de Minas Gerais Aécio Neves (PSDB).

Com grande capacidade de articulação política inclusive para atrair apoios para um governo tucano em partidos que hoje integram a base de sustentação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ao mesmo tempo em que se prepara para a troca do presidente do País, o Senado começará seus trabalhos em 2011 com a tarefa de tentar melhorar sua imagem, abalada pelo escândalo dos atos secretos que revelou as regalias e vantagens que a Casa pagava em segredo para funcionários e parlamentares.

Os dois terços eleitos agora trazem um perfil rejuvenescido e mais moderado, que pode ajudar nesse processo. Na nova legislatura, a bancada petista ganha, por exemplo, senadores mais jovens, como a paranaense Gleisi Hoffmann, casada com o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo.

Passará a contar também com o Lindberg Farias (PT-RJ), ex-líder dos caras pintadas que ajudaram a derrubar o ex-presidente Fernando Collor (PTB-AL), que, ironicamente, poderá se tornar seu companheiro de base de sustentação do governo de Dilma, caso ela vença.

Marcelo de Moraes, de O Estado de S.Paulo

Dilma quer manter política econômica, mas acena com corte radical de juros

sábado, 30 de outubro de 2010

A política econômica de Dilma Rousseff, caso seja eleita presidente, será a de continuidade do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, mas com retoques, como a redução da taxa de juros real da economia para 2%.

Dilma quer manter política econômica, mas acena com corte radical de juros

sábado, 30 de outubro de 2010

Fonte: votebrasil.com

RIO – A política econômica de Dilma Rousseff, caso seja eleita presidente, será a de continuidade do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, mas com retoques que miram um objetivo ambicioso para o final de seu mandato – reduzir a taxa de juros real da economia para 2%.

Se isso acontecer, o País estará alinhado com o padrão internacional, e chegará ao fim uma das maiores distorções da economia brasileira, que são os juros muito maiores do que em quase todos os países ricos ou emergentes.

O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa – visto como provável participante da futura equipe econômica de Dilma -, nota que a taxa de juros real caiu de 16% para 6% desde 2002 e não é irrealista projetar que vá a 2% nos próximos quatro anos.

Esse é um ponto central da estratégia econômica de Dilma. Os juros reais em queda contribuirão para outros objetivos do governo até 2014, como reduzir a dívida pública líquida de 40% para menos de 30% do PIB, e zerar o déficit público nominal (que inclui o pagamento de juros).

“Um juro a 2% vai requerer uma modernização financeira no Brasil”, diz Barbosa. Um dos maiores problemas econômicos do País hoje, que deve ser atacado até antes do início de um eventual governo Dilma, é o financiamento do setor financeiro privado ao investimento. Hoje, o financiamento depende desproporcionalmente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que já recebeu reforços de R$ 208 bilhões do Tesouro desde 2008.

A solução a ser tentada é desonerar tributariamente o mercado de títulos de dívida privados e facilitar a intermediação dos bancos privados, possivelmente reduzindo compulsórios (além de se reforçar o mercado de capitais). A queda dos juros, porém, é considerada vital para o projeto, já que, com a Selic em 10,75%, é difícil competir com os empréstimos do BNDES , cujo parâmetro é a TJLP de 6%.

A queda do juro real, finalmente, atende uma grande preocupação dos economistas desenvolvimentistas: o câmbio excessivamente valorizado. Embora não seja a única causa, o enorme diferencial entre os juros brasileiros e internacionais, que atrai capitais especulativos para o País, é um dos “vilões” principais da sobrevalorização do real, que prejudica a indústria e amplia o déficit em contas correntes – a preocupação com o crescente rombo externo, aliás, deve ser uma das marcas do próximo governo.

Todo aquele círculo virtuoso de queda de juros, do déficit fiscal e da dívida pública depende de que dê certo a aposta de Dilma na continuidade da política econômica, com alguns remendos. O famoso “tripé macroeconômico”, formado por metas de inflação, câmbio flutuante e superávits fiscais primários (que excluem o pagamento de juros) será mantido com certeza num governo Dilma.

Nos anos finais do governo Lula, porém, houve sutis mudanças no tripé. Duas delas serão indubitavelmente continuadas por Dilma. A primeira é um Banco Central ainda autônomo, mas com mudanças na composição do Comitê de Política Monetária (Copom) que o deixaram um pouco menos conservador.

A segunda mudança é o uso mais intensivo de mecanismos de controle da entrada de capitais, como o aumento das alíquotas do IOF em aplicações externas em renda fixa. O Ministério da Fazenda também procurou reforçar, com a criação do Fundo Soberano, a política de compra de dólares pelo governo.

A grande dúvida de investidores e economistas em relação a um governo Dilma é quanto ao terceiro desvio do tripé, relativo à política fiscal. A partir da crise, o superávit primário caiu substancialmente, e o governo diminuiu a transparência do indicador, com descontos, receitas extravagantes e manobras contábeis.

“Não só o desempenho ficou pior, como também piorou a governança”, diz Alexandre Schwartsman, economista-chefe do Banco Santander. Ele observa que o superávit primário com a economia a plena carga, gerando forte receitas tributárias, tendeu a ser de 3,5% do PIB de 2000 a 2008. Em 2010, com a economia no ritmo mais forte em décadas, o superávit primário real (descontados os truques) deve ficar em torno de 2%.

Barbosa defende a volta do superávit primário efetivo para 3,3% do PIB, o que, para ele, seria suficiente para colocar a economia na rota de juros, dívida e déficit público cadentes. Há sinais de que Dilma pode caminhar nessa direção, estimulada pela presença do ex-ministro Antonio Palocci em algum cargo de primeiro escalão do governo.

Já no seu primeiro ano, porém, ela vai enfrentar a definição do aumento do salário mínimo e do reajuste dos aposentados. Somadas à perda de credibilidade fiscal no final do governo Lula, essas pressões por gastos colocam um ponto de interrogação no desempenho fiscal de um governo Dilma.

Um reforço nessa área, porém, é visto como fundamental para garantir a queda do juro real, embora Barbosa conte com outros fatores, como aumento da produtividade (que tem efeito anti-inflacionário, ao permitir aumentos salariais sem repasses aos preços).

Dilma, na verdade, tem se manifestado contrária a um ajuste fiscal, mas isso parece ter mais a ver com a sua disposição de reorganizar o Estado, aumentando sua capacidade de investir e tocar obras.

Ela combate o corte linear de despesas, expediente muito usado na fase de maior fragilidade macroeconômica, encerrada em 2004. O corte linear tem a vantagem de produzir resultado fiscal imediato, mas desorganiza os programas de investimento.

Em termos de reformas, a tributária, com unificação do ICMS e desoneração de investimentos, é a prioridade de Dilma. A reforma trabalhista está descartada, e, na Previdência, assunto tabu na campanha, o máximo a que se pode chegar são mudanças tópicas e a tentativa de concluir a reforma de 2003.

Fernando Dantas, de O Estado de S. Paulo

Emburrecimento eleitoral

sábado, 30 de outubro de 2010

Estamos nos aproximando ao fim do pleito eleitoral de 2010. A cada eleição que presencio, verifico quão medíocres e ignorantes se tornam as pessoas por ocasião das campanhas, incluam-se nessa leva todos os candidatos

Emburrecimento eleitoral

sábado, 30 de outubro de 2010

Por Afonso Vieira – opiniaoenoticia.com.br

Em vez de debatermos projetos e soluções para os gargalos da nação, ficamos vendo quem é o ‘menos pior’.

Estamos nos aproximando ao fim do pleito eleitoral de 2010. A cada eleição que presencio, verifico quão medíocres e ignorantes se tornam as pessoas por ocasião das campanhas, incluam-se nessa leva todos os candidatos.

O que me instou a escrever esta crônica foi um e-mail recebido de uma amiga, onde consta uma suposta carta de Pedro Bial pregando o voto em Dilma Roussef. Até aí nada demais, o problema foram as respostas, como a mensagem foi enviada abertamente para uma grande lista, alguns começaram a responder para “todos” colocando suas posições.

Não há nada mais estúpido que alguém que se ache melhor que os demais, portando-se como senhor da razão. Oras, tem que ser muito biltre para querer dizer que entre José Serra e sua concorrente há muita diferença, não, não há! Infelizmente estamos diante de dois candidatos desenvolvimentistas, populistas e de centro esquerda. Suas divergências nas propostas são mínimas. Em meu entendimento, a única diferença relevante é no quesito das liberdades individuais, e é aí que está o X da questão, e eu já abordei o tema em artigo recente.

Ambos possuem inúmeras denúncias que os desabonam como entes públicos, ambos têm um passado na luta contra a ditadura militar, ambos mentem quando dizem ter lutado pela democracia. Está certo que Serra era da ala moderada, mas nenhum marxista luta/lutou pela liberdade. Aliás, socialismo e liberdade são coisas excludentes! Querer dizer o contrário é jogar na lama toda a história do século XX, distorcendo o que de fato ocorreu. Dirão alguns que as ideias de Karl Marx nunca foram colocadas em prática, que foram distorcidas, isso é balela. Todo planejamento ou ideia, quando de sua aplicação, necessita de adaptações e correções. A coletivização só funciona se for imposta suprimindo a individualidade e a liberdade, na forma de regimes autoritários e fazendo lavagem cerebral de seus seguidores.

E parece exatamente isto que acontece com militontos nas eleições. Seus candidatos passam a ser onipotentes, onipresentes, imunes a críticas, verdadeiros deuses. Vira briga de torcida, às favas com a razão! Ao invés de debatermos projetos e soluções para os gargalos da nação, ficamos vendo quem é o “menos pior”, qual sua religião, sua sexualidade; sua capacidade gerencial e seu projeto para o Brasil são relegados a segundo plano.

Somente numa nação atrasada e ignorante que temas como a privatização e o aborto são coisas que denigrem alguém ao ponto de comprometer o voto. Oras, aborto já se tornou uma questão de saúde pública há anos, e a grosso modo, já está “legalizado” há tempos. Quanto às privatizações, somente um energúmeno incompetente é que tem medo delas, a propósito, exemplos de que elas foram muito mais benéficas do que ruins pululam por todos os cantos – a própria internet e nossos celulares o são.

O governo Lula, demagogicamente critica as privatizações, mas também as fez, mudou apenas o nome para parceria público privada. O tal do pré-sal já está todo licitado, prontinho para ser explorado pelos “donos do capital”.

Prometem-se universidades, mas se esquecem que nosso calcanhar de Aquiles é justamente o ensino fundamental e médio. Nem professores decentes possuímos, para que mais prédios formando pessoas que nunca leram um livro, que não conseguem nem interpretar um simples texto? Universidade pública e gratuita para ricos? São nossas contradições, permeadas a discursos demagógicos.

Qualquer gestor capaz sabe que o país necessita de reformas estruturais urgentes, como a política e da previdência, mas ninguém as fez até o presente, e provavelmente ainda não farão tão cedo.

Lula está saindo, com aprovação recorde e jogando no ralo todas as instituições democráticas a cada palavra que profere. O país está melhor do que há dez anos? Sim está, mas poderia estar muito mais. Economia não é uma ciência exata, mas existem medidas que parecem, ou deveriam ser, óbvias.

Eu não torço contra o país, seja quem for o vencedor, rogo votos que seja melhor do que o atual governante – o que não é difícil de conseguir, diga-se -, mas não dá para relevar o histórico de cada um.

O próximo presidente terá muitos desafios, terá que consertar todo o estrago até agora feito, terá que enxugar a máquina pública, chutando os comissionados – incompetentes por natureza –, acabar com o paternalismo, resgatar a ética do cargo, o respeito ao erário e estimular a liberdade, a transparência e respeitar a independência dos poderes.

Muitos dizem que a democracia só é plena com a alternância do poder. Infelizmente, mesmo que Serra seja eleito – o que é pouco provável –, não vislumbro tanta “alternância” assim. Mas, como já declarei anteriormente, será um voto de nariz tapado, engolindo sapos e torcendo para estar enganado.

Controle de mídia no Brasil preocupa EUA

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

A sociedade de jornalistas norte-americana Society of Professional Journalists criticou a proposta de controle da imprensa do Brasil. A organização lembra as propostas do presidente Lula para o controle social da mídia

Controle de mídia no Brasil preocupa EUA

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

Sociedade de jornalistas critica as propostas do presidente Lula para o controle de imprensa no Brasil

A sociedade de jornalistas norte-americana Society of Professional Journalists (SPJ) criticou a proposta de controle da imprensa do Brasil. A entidade é responsável pelo Código de Ética do jornalismo dos Estados Unidos.

Em um texto divulgado no blog “Journalism around the world”, a organização exibe o vídeo em que o jornalista Paulo Behring se demite da TV Brasil e lembra as propostas do presidente Lula para o controle social da mídia.

Para Dan Kubiske, jornalista integrante da SPJ e residente no Brasil, a discussão sobre o controle de imprensa deve ser acompanhado de perto pelos Estados Unidos.

“O que acontece no Brasil afeta a economia dos Estados Unidos, e, em alguns casos, assuntos domésticos. Para os planejadores do governo da Flórida, especificamente Orlando, que país atualmente manda o maior número de visitantes para a área? Sim, o Brasil”.

Descoberta do pré-sal pode dobrar reservas de petróleo

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

A jazida de petróleo descoberta na Bacia de Santos pode ser a maior do país. Foi o que informou a Agência Nacional do Petróleo. Segundo o òrgão Regulador, a jazida de Libra tem reservas de 7,9 bilhões de barris de petróleo, o que já a colocaria como a maior do Brasil.

Descoberta do pré-sal pode dobrar reservas de petróleo

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

Se as previsões se confirmarem, o país chegaria a 29 bilhões de barris, ficando entre os dez países com maiores reservas do mundo

A jazida de petróleo descoberta na Bacia de Santos pode ser a maior do país. Foi o que informou a Agência Nacional do Petróleo (ANP). A jazida de Libra tem reservas entre 3,7 e 15 bilhões de barris. O cálculo mais provável, de acordo com o órgão regulador, é de 7,9 bilhões de barris de petróleo, o que já a colocaria como a maior do Brasil.

Se as previsões se confirmarem, o país chegaria a 29 bilhões de barris, ficando entre os dez com maiores reservas do mundo. A descoberta localiza-se no chamado pré-sal, o novo horizonte de exploração brasileiro que fica em águas profundas do Atlântico e abaixo da camada de sal de dois quilômetros de espessura.

Nesta quinta-feira, 28, começou a ser explorada comercialmente a instalação de uma plataforma no campo de Tupi. As reservas deste campo podem transformar o Brasil em um dos maiores exportadores mundiais de petróleo.

“Até o momento a profundidade atingida no poço em Libra é de 5.410 metros, com 22 metros perfurados no pré-sal. A profundidade final prevista, de perto de 6.500 metros, calcula-se que será atingida no início de dezembro”, afirma o regulador.

Segundo a agência, a perfuração do poço Libra foi encomendada só para aumentar o conhecimento sobre o potencial do pré-sal, por isso que ainda não há previsão de quando começará a ser explorado.

A regulamentação específica para o pré-sal, aprovada este ano pelo Congresso, afirma que a exploração da jazida será concedida ao melhor licitante em um leilão público. No entanto, a Petrobras terá que ser o operador e ter participação no projeto.

Termina a campanha mais agressiva desde Collor x Lula

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Marcada por troca de ataques e exploração de escândalos políticos, a eleição de 2010 contrariou o modelo que guiou disputas anteriores, nas quais adversários evitavam ataques em debates e discursos para não afugentar eleitores.

Termina a campanha mais agressiva desde Collor x Lula

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Marcada por troca de ataques e exploração de escândalos políticos, a eleição de 2010 contrariou o modelo que guiou disputas anteriores, nas quais adversários evitavam ataques em debates e discursos para não afugentar eleitores.

Com o encerramento da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão, termina oficialmente nesta sexta-feira a campanha mais agressiva para a Presidência da República desde a redemocratização. Marcada por troca de ataques e exploração de escândalos políticos, a eleição de 2010 contrariou o modelo que guiou disputas anteriores, nas quais adversários evitavam ataques em debates e discursos para não afugentar eleitores.

Tanto o PT da ex-ministra Dilma Rousseff como o PSDB do ex-governador José Serra dizem ver na campanha deste ano um dos embates mais tensos da história recente. “Foi uma das eleições mais radicalizadas do Brasil nos últimos anos, com radicalizações desnecessárias de ambos os lados e que não contribuíram em nada para formação da opinião do eleitor. Fica a lição para que, nas próximas eleições, as ideias é que briguem e não as pessoas”, afirma o ex-governador de Minas Gerais Aécio Neves, senador eleito pelo PSDB.

“Há muito tempo participo de disputas eleitorais, e eu nunca vi uma eleição em que o subterrâneo, a calúnia e a falta de respeito estiveram tão presentes. Lamento, mas posso garantir que isso não partiu do nosso lado”, justifica o deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP), um dos coordenadores da campanha petista à Presidência.

A campanha deste ano só pode ser comparada à que opôs o hoje presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o atual senador Fernando Collor de Mello na disputa pela Presidência, em 1989, segundo o vereador José Américo (PT-SP). Coordenador da campanha petista naquela eleição, ele relembrou o fato de Collor ter veiculado imagens de uma ex-namorada de Lula, Miriam Cordeiro, acusando o então líder sindical de ter lhe dado dinheiro para realizar um aborto e de não assumir a filha Lurian. Lula, lembra o vereador, também foi acusado de querer invadir casas e proibir cultos em igrejas.

“Foi uma campanha muito intensa”, resume, ao investir na tese de que ataques que diz terem sido lançados contra o PT nesta eleição foram mais “sofisticados e organizados”, sobretudo por causa dos boatos disseminados pela internet. Segundo ele, as campanhas de 1994, 1998 e 2002 foram “relativamente tranquilas” porque os presidentes eleitos iniciaram a disputa na posição de favoritos, e foram eleitos nessa situação.

O senador Sérgio Guerra (PE), presidente nacional do PSDB e coordenador da campanha tucana à Presidência, ironiza as críticas dos adversários e afirma que é o PT, na verdade, quem se especializou em produzir dossiês contra os rivais, como aconteceu em 2006 no chamado escândalo dos aloprados. Na época, petistas foram presos tentando adquirir um dossiê contra tucanos que disputavam aquela eleição – Serra era candidato ao governo paulista e Geraldo Alckmin concorria à Presidência.

“Sou presidente do partido e coordenei a campanha. E gostaria de saber onde é essa central de boato pra mandar desfazer”, rebate. Segundo o dirigente tucano, o que se fala na internet e nas redes sociais é um fenômeno difícil de se obter controle. “A internet tem um papel nisso e expandiu imensamente (os ataques)”.

Histórico

A avaliação entre os comandos das duas campanhas é que, como em 2006, quando o escândalo do mensalão ainda era recente, os ânimos ficaram tão acirrados como na campanha deste ano. Quando a disputa se aproximava do fim, Alckmin subiu o tom das críticas a Lula, que tentava a reeleição. A ofensiva até hoje é apontada como fator que o levou a terminar o segundo turno com menos votos do recebeu na primeira fase da campanha.

Morna no princípio, quando Serra evitava ataques diretos a um governo com alta popularidade, a disputa deste ano esquentou na reta final do primeiro turno. O cenário começou a mudar em setembro, com a eclosão do escândalo da violação de sigilo pessoas próximas a Serra – entre elas sua filha, Verônica Serra. O tucano chegou a comparar a situação aos ataques lançados por Collor sobre Lula em 1989.

Pouco depois, foi revelado que familiares da sucessora e antigo braço direito de Dilma na Casa Civil, Erenice Guerra, participavam de um esquema de tráfico de influência no governo. O novo capítulo de acusações sobre Dilma provocou a queda da ministra.

O auge da tensão aconteceu, no entanto, já no segundo turno, durante debate promovido pela TV Bandeirantes, em 10 de outubro. Na ocasião, tanto Dilma quanto Serra levaram à tona episódios constrangedores contra os adversários. De um lado, a petista colocou no centro da discussão o ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza (conhecido como Paulo Preto), ex-assessor do tucano suspeito de ter desviado R$ 4 milhões em recursos que teriam supostamente sido arrecadados pela campanha tucana e não declarados à Justiça Eleitoral. No encontro, Dilma tentou também colar no rival a pecha de “privatista” e disse que a eleição do tucano significaria o “risco” de privatização da Petrobras.

Entre todos os escândalos e temas espinhosos, no entanto, nenhum produziu tanto resultado como a exploração do tema do aborto. A campanha tucana, que passou a eleição afirmando que Dilma teria posição dúbia em relação ao tema, foi acusada pelos petistas de “caluniar” a candidata. Dilma chegou a citar um episódio em que a mulher do tucano, Mônica Serra, teria dito a um eleitor, durante campanha no Rio de Janeiro, que a ex-ministra era “a favor de matar criancinhas”.

Com o assunto em pauta, mensagens contra a candidata passaram a ser divulgadas em sites, e-mails e redes sociais e levou o comando petista a instalar uma “central antiboataria” para estancar os estragos, sobretudo nos meios religiosos, onde padres e pastores passaram a fazer campanha direta contra a candidata. Serra também recorreu ao mesmo recurso para afastar boatos de que, se fosse eleito, promoveria a privatização da estatal e acabaria com programas federais, como o Prouni e o Bolsa Família.

Discursos

A tensão vivida na atual campanha levou os dois lados a intensificarem os ataques ao lado adversário. Lula chegou a afirmar que faltava “hombridade” a Serra. Tucanos, por sua vez, questionavam a participação de Lula na campanha, que, segundo eles, extrapolava as prerrogativas institucionais da Presidência.

Militantes dos dois lados entraram em confronto durante um ato ocorrido no Rio. Na confusão, objetos foram arremessados contra o candidato, que interrompeu a caminhada e foi parar em um hospital. Enquanto o tucano dizia ter sofrido agressão, petistas diziam que o objeto que acertara a cabeça do candidato era, na verdade, uma bolinha de papel.

Lula chegou a acusar Serra de comandar uma “farsa”. “Eles tratam adversários como inimigos, e inimigos que precisam ser destruídos”, rebateu Serra. Pouco depois, foi a vez de Dilma, que desviou de bexigas d’água em uma atividade de campanha.

Sério Guerra tenta jogar em Lula a responsabilidade pela violência da atual campanha. Em entrevista concedida à revista Veja no período de pré-campanha, Guerra chegou a afirmar que os adversários fariam qualquer coisa para não perder o governo e que, portanto, esta seria a campanha mais sangrenta dos últimos anos. “O que vimos, de fato, foi o uso total e irrestrito do aparelho público pra fazer campanha”, avalia

Matheus Pichonelli e Rodrigo Rodrigues
Fonte: votebrasil.com

Parlamentares querem aprovar 26 projetos que modificam o Bolsa Família

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

As principais alterações dizem respeito ao valor dos benefícios, às condicionalidades, ao incentivo à demanda de trabalho dos beneficiários, à expansão do público alvo, a mecanismos de blindagem política e controle social, e à articulação do programa com outras políticas sociais.

Parlamentares querem aprovar 26 projetos que modificam o Bolsa Família

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Amanda Costa
Do Contas Abertas

Enquanto os presidenciáveis José Serra e Dilma Rousseff tentam alinhar os nomes à manutenção e à ampliação do programa Bolsa Família, disputando quem concederá maiores benesses à 12,7 milhões de famílias atendidas, tramitam no Congresso Nacional 26 projetos que visam alterar a formatação do programa. Desde 2004, ano em que o principal mecanismo de transferência de renda do governo federal foi convertido em lei, deputados e senadores apresentaram 34 projetos de lei para tentar modificar o programa. Oito foram arquivados.
 
As principais alterações dizem respeito ao valor dos benefícios, às condicionalidades, ao incentivo à demanda de trabalho dos beneficiários, à expansão do público alvo, a mecanismos de blindagem política e controle social, e à articulação do programa com outras políticas sociais. O levantamento foi desenvolvido pela consultora legislativa do Senado Federal Tatiana Britto e pelo técnico em pesquisa e planejamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Fábio Veras Soares.
 

Partem de diferentes partidos, tanto de esquerda quanto de direta, os pedidos de modificações. Os pleitos foram requeridos por trinta parlamentares, filiados a 12 legendas e representando 16 unidades da federação. Prova de que o Bolsa Família consta na agenda de diferentes siglas.
 

Quanto à classificação dos projetos de lei por partido do autor, a maior quantidade teve origem no PDT, com sete propostas. Parlamentares do DEM e do PSDB apresentaram quatro projetos, cada um. O PMDB, PSB, PT e PTB responderam, individualmente, por três. Apresentaram dois projetos o PP e o PR. E também ofereceram uma proposta o PV, o PRB e o PPS. Contribuíram para aumentar o número de propostas das legendas os senadores Cristovam Buarque (PDT-DF) e Efraim Morais (DEM-PB), e os deputados Manoel Júnior (PSB-PB) e Geraldo Resende (ex-PPS e atual PMDB-MS), que apresentaram dois projetos sobre o assunto.
 

A maioria das petições foi apresentada a partir de 2007, início do segundo mandato do presidente Lula. A explicação encontrada para esta distribuição temporal refere-se à visibilidade do programa. Ou seja, com a cobertura expandida, o Bolsa Família tornou-se mais popular e, com isso, despertou maior interesse dos parlamentares. Além disso, soma-se o fato de que em inícios de legislaturas o Congresso registra elevado número de novos projetos de lei, principalmente devido à chegada de parlamentares estreantes.
 

Segundo Tatiana Britto, os projetos que pedem alterações no Bolsa Família parecem inspirar-se nas principais críticas veiculadas nos meios de comunicação. “Um exemplo são os projetos que tentariam possibilitar maior articulação do programa com mecanismos de incentivo à participação dos beneficiários no mercado de trabalho. A crítica frequente é de que as pessoas, ao receberem o benefício, se acomodariam e prefeririam continuar inscritas no programa ao invés de procurar emprego”, explica.
 

Para a consultora legislativa, o programa tem pautado menos as eleições deste ano se comparado à visibilidade que adquiriu na campanha eleitoral de 2006. “Acho que o programa está consolidado. O que aparece são propostas para aperfeiçoamento. Mas não se questiona mais o programa em si. Então, o debate se deslocou para outros temas”, avalia.
 

Além de enumerar a quantidade de projetos que pretendem alterar a formatação do programa de transferência de renda, o estudo “Bolsa Família e Renda Básica de Cidadania – um passo em falso?” analisou as principais diferenças entre os dois programas, que nasceram praticamente ao mesmo tempo.  Enquanto os critérios para distribuição dos benefícios do primeiro estão focados em determinados grupos e são condicionados, o segundo é universal e incondicional, ou seja, o direito a benfeitoria é adquirido de forma independente da renda e atinge a toda a população (veja a íntegra do estudo).

Sete anos do Bolsa Família

Criado para ser um instrumento governamental de transferência de renda para famílias em situação de pobreza ou miséria, o Bolsa Família completou sete anos de existência neste mês. Considerando a média oficial de quatro beneficiários por família, são praticamente 51 milhões de pessoas contempladas, o mesmo que um a cada quatro brasileiros. No primeiro ano do programa, pouco mais de 3,6 milhões de famílias eram atendidas, o que representa um aumento de 253% na quantidade de pessoas assistidas na comparação com este ano.
 

De 2003 para cá, foram aplicados mais de R$ 66 bilhões no programa de transferência de renda (veja tabela). Para o próximo ano, a proposta de lei orçamentária, encaminhada pelo Executivo ao Congresso Nacional, prevê mais de R$ 13,9 milhões, o maior valor desde o lançamento do Bolsa Família.
 

O programa foi criado em 20 de outubro de 2003 por meio de medida provisória, mas foi regulamentado apenas em janeiro de 2004, pela Lei 10.836. O Bolsa Família atende a grupos específicos como quilombolas, indígenas, moradores de rua e assentados cuja renda mensal por integrante de cada família seja de até R$ 140,00. O programa exige contrapartidas das famílias atendidas com o objetivo de estimular o acesso aos serviços de saúde e educação.
 

Segundo o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), gestor do programa, o benefício médio de R$ 96,00 significa um acréscimo de 47% na renda das pessoas atendidas em todos os municípios brasileiros. Os beneficiários costumam aplicar os recursos recebidos fundamentalmente em alimentação, material escolar, remédios e vestuário infantil.
 

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Gilmar do pandeiro

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Causou perplexidade a quem acompanhou a sessão plenária de ontem do STF, o comportamento do Ministro Gilmar Mendes. Por vezes descontrolado, agressivo, atacando seus pares, Gilmar externou uma virulência sem precedentes

Gilmar do pandeiro

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Por Epaminondas da Silva – opiniaoenoticia.com.br

Apesar de legítima a discussão técnico-jurídica sobre a aplicação imediata da lei, o comportamento do Ministro Gilmar Mendes extrapolou.

Causou perplexidade àqueles que acompanharam a sessão plenária de ontem do Supremo Tribunal Federal, o comportamento do Ministro Gilmar Mendes.

Julgava-se Recurso Extraordinário interposto pelo senador eleito pelo Pará, Jader Barbalho, com o que o STF teria de decidir se a Lei da Ficha Limpa seria aplicável já nessas eleições de 2010. Se a decisão fosse pela aplicação imediata da lei, Barbalho não seria empossado senador, não obstante os 1,8 milhão de votos que recebeu de seu eleitorado. Isto porque, em 2001, Barbalho renunciou ao seu mandato para não ser cassado por seus pares – o que a Lei da Ficha Limpa proíbe sob pena de ilegibilidade – por decoro parlamentar e práticas de corrupção envolvendo o desvio de R$ 1,7 bilhão (!!) que envolviam a SUDAM, o BANPARÁ e Títulos da Dívida Agrária, esses últimos ainda do tempo em que foi Ministro da Agricultura. Indiciado, Barbalho aguarda julgamento do STF, ainda sem data.

Pois bem, apesar de legítima a discussão técnico-jurídica sobre a aplicação imediata da lei, o que, para alguns ministros, contrariaria comando constitucional que determina a anterioridade de 1 ano para leis que alteram dispositivos eleitorais, o comportamento do Ministro Gilmar extrapolou. Por vezes descontrolado, agressivo, atacando seus pares, Gilmar externou uma virulência sem precedentes.

E por que? Era tão absurda a aplicação imediata da lei em questão? Não creio; se fosse,  cinco brilhantes mentes jurídicas não teriam se manifestado a seu favor.

Aplausos calorosos para o decano da Corte, Celso de Mello, que mesmo vencido – votou pela inconstitucionalidade da aplicação imediata da lei – fez prevalecer o critério óbvio, no sentido de que, se o Tribunal pleno não conseguiu decidir pela admissibilidade do Recurso Extraordinário, haveria de prevalecer a decisão emanada pelo Superior Tribunal Eleitoral, que já havia decidido pela inelegibilidade de Barbalho.

De resto, de um ponto de vista estritamente jurídico, concordo plenamente com a adoção imediata da lei. Honestidade, decência, probidade no serviço público são requisitos constitucionais inerentes, a qualquer tempo, para os que pretendem exercer cargos eletivos. Entender de forma contrária seria como apenas proibir a posse de ladrões e picaretas a partir das próximas eleições. Nessas valeria.

Mas não era o bastante para Gilmar. Inconformado, olhos esbugalhados, apoplético, mesmo com o jogo já decidido, forçava até o último instante a reversão do resultado, o que entronaria o Sr. Jader Barbalho para um mandato de 8 anos no Senado Federal.

Lembrou-me o saudoso Jackson do Pandeiro, que cantava a plenos pulmões: “esse jogo não pode ser 1 a 1, se meu time perder eu mato um”. Estranho, não?

Ibope mostra Dilma com 57% dos votos válidos e Serra com 43%

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Nova pesquisa Ibope aponta Dilma Rousseff com 57% dos votos válidos e José Serra com 43% na disputa em segundo turno pela Presidência da República. Na pesquisa anterior do Ibope, divulgada no último dia 20, Dilma aparecia com 56% dos votos válidos e Serra com 44%.

Ibope mostra Dilma com 57% dos votos válidos e Serra com 43%

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

No total de votos, petista obtém 52% das intenções, e tucano, 39%. Margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.

Pesquisa Ibope divulgada nesta quinta-feira (28) aponta Dilma Rousseff (PT) com 57% dos votos válidos e José Serra (PSDB) com 43% na disputa em segundo turno pela Presidência da República.

Como a margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais, Dilma pode ter entre 55% e 59%, e Serra, entre 41% e 45%. O critério de votos válidos exclui as intenções de voto em branco e nulo e os indecisos.

Na pesquisa anterior do Ibope, divulgada no último dia 20, Dilma aparecia com 56% dos votos válidos e Serra com 44%.

O Ibope entrevistou 3.010 eleitores, de 26 a 28 de outubro. A pesquisa foi encomendada ao instituto pela TV Globo e pelo jornal “O Estado de S. Paulo”. Está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o número de protocolo 37596/2010.

Votos totais

Pelo critério de votos totais (que incluem no cálculo brancos, nulos e indecisos), Dilma Rousseff soma 52% das intenções de voto, e José Serra, 39%. As intenções de voto em branco ou nulo acumulam 5%, segundo o Ibope. Os eleitores indecisos são 4%.

Nos votos totais da pesquisa anterior do Ibope, do último dia 20, Dilma tinha 51%, e Serra, 40%. Brancos e nulos eram 5%, e indecisos, 4%.