Arquivo de agosto de 2009

Governo anuncia salário mínimo de R$ 505 em 2010

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Por Rodolfo Torres – congresoemfoco.com.br

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, afirmou nesta segunda-feira (31) que o orçamento de 2010 prevê que o salário mínimo será de R$ 505,90 a partir do próximo ano. O reajuste corresponde a um aumento de 8,8%. Atualmente, o mínimo é de R$ 465. No início da tarde, o ministro sinalizou que o benefício chegaria a R$ 507. (leia mais)
“Isso ainda vai ser objeto de revisão, porque ele é baseado no crescimento da economia do ano passado, que ainda pode ter revisão do IBGE em novembro, e depende do IPC… Então, até o fim do ano pode mudar”, afirmou o ministro, complementando que o valor será arredondado para cima. “Você não pode pagar com moedinha na máquina.”
O ministro foi ao Congresso entregar ao presidente José Sarney (PMDB-AP) a peça orçamentária do próximo ano. Nas palavras do ministro, a proposta apresenta uma “visão otimista da economia”, com um crescimento de 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2010.
“Ficamos tentados até colocar 5% de projeção, porque muita gente já está falando isso. É um cenário de receita melhor, as transferências para estados e municípios vão crescer também bastante”, afirmou.
O governo estima que em 2010 a inflação será de 4,33%, enquanto que a taxa básica de juros permanecerá em 8,75%. Paulo Bernardo ainda destacou que a receita primária no orçamento será de R$ 853 bilhões, enquanto que a despesa primária será de R$ 802 bilhões.
“Nós estamos convencidos de que o Brasil já passou pela crise. Estamos crescendo com um ritmo melhor. Vamos chagar ao fim do ano crescendo em torno de 4%, embora a média do ano seja menor do que isso.”
Os investimentos do orçamento federal para o próximo ano são de R$ 46 bilhões. O valor representa um aumento de R$ 7 bilhões em relação a 2009. O orçamento de investimento das estatais chegou a R$ 97 bilhões.
O ministro ainda ressaltou que a peça orçamentária destinará R$ 10 bilhões para o programa habitacional Minha Casa, Minha Vida; e R$ 23 bilhões para o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
“As nossas prioridades são, além das despesas obrigatórias, executar o PAC e manter os programas sociais.”

Celebridades na festa de filiação de Marina Silva

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Por Pedro Venceslau  – revistaforum.com.br

Os ambientalistas Vitor Fasano e Cristiane Torloni chegaram de óculos escuros ao bufê Rosa Rosarium, em Pinheiros, no domingo, para a festa-filiação de Marina Silva no PV. O disfarce não funcionou e a dupla pop-green logo foi identificada pelos “militantes” que se empanturravam de glúten em volta da mesa do salão principal.
Vitor e Cristiane sentaram-se na primeira fila ao lado de outra celebridade, Maria Cristina Mendes Caldeira. Lembra dela? Trata-se da socialite que ficou famosa depois de infernizar a vida do ex-marido, Valdemar da Costa Neto, nos tempos do mensalão. A moça, engajada que é, trajava uma camiseta verde com a estampa de Chico Mendes. Assim como seu cãozinho, um beagle. Todo de verde, o bem comportado animal passou a cerimônia em seu colo sem dar um latido.
Para esse repórter, Maria Cristina contou que impôs uma condição para voltar ao PV: “Pedi a Marina que ela fizesse uma depuração e acabasse com a corrupção na legenda”. Dizendo-se “empreendora social”, a ex-Costa Neto contou que está abrindo um instituto. O nome? Mendes Caldeira. A missão? “Ser despachante do bem”.
José Penna, o presidente do partido, chegou de terno, gravata e cercado por três seguranças. Ele não é assim um Fasano, mas foi prontamente reconhecido pelos ativistas uniformizados, que chegaram em caravanas de ônibus. As claques iam ficando claras conforme a mestre de cerimônia ia citando os nomes do presentes.
A pergunta do dia era se Juca Ferreira iria aparecer. Único verde do governo Lula e defensor da candidatura Dilma, Juca foi. Temendo apupos, chegou colado em Marina. O herdeiro de Gil na Cultura definitivamente não estava à vontade. Recusou o centro e sentou-se no canto da mesa das autoridades. Evitou também o microfone e, no fim, depois do hino nacional, saiu em passos rápidos. Esbarrou porém nos repórteres, que queriam saber: “O senhor vai apoiar Dilma Rouseff ou Marina Silva?”. Bastante irritado, responde: “Isso não é pergunta, é provocação”. Não era, mas tudo bem.
O aguardado discurso de Marina foi pontuado por toques do escritor Augusto Cury, mestre da auto-ajuda. E terminou em choro da candidata. Marina encerrou o discurso dizendo que mudou de casa, mas não de rua. Juca gostou. “Isso mostra que ela não será uma candidata de oposição”. O reportariado presente não deu muita bola para esse detalhe, que simplesmente encerra qualquer especulação.
Marina Silva vai estar no palanque do PT no segundo turno. Ela não se curvaria aos capos tucanos do partido. A propósito, ficou bem claro que, a partir de agora, ela é sócia majoritária da legenda. O grupo que cuidará da campanha foi formado no domingo com a seguinte configuração: 10 indicados por ela, 10 pelo partido e mais o presidente Penna. O evento de filiação de Marina Silva foi um retrato do que será o PV em 2010: um partido com uma líder carismática, muitas celebridades, pitadas de auto-ajuda e absolutamente nenhuma consistência. Falta aos verdes, enfim, amadurecer…

Celebridades na festa de filiação de Marina Silva

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Governo anuncia salário mínimo de R$ 505 em 2010

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Suplicy dá cartão vermelho a Sarney e a Heráclito

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Por Fábio Góis – congressoemfoco.com.br

‘O melhor passo para a saúde do próprio Sarney é simbolizado neste cartão vermelho’, diz Suplicy
O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) subiu há pouco à tribuna do plenário para “expulsar” o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). O petista voltou a pedir o afastamento de Sarney do comando da Casa, e, em discurso para poucos senadores, levantou um cartão vermelho contra o peemedebista.
“O melhor passo para a saúde do Senado e do próprio Sarney é simbolizado neste cartão vermelho. Que ele deixe a presidência do Senado, permitindo que o Senado volte aos seus trabalhos normais”, disse Suplicy, criticando a postura do Conselho de Ética – que, na semana passada, manteve o arquivamento de todas os pedidos de investigação contra Sarney.
Ontem (24), Suplicy já tinha dado sinais de que a intenção de Sarney em imprimir ar de normalidade à Casa, recorrendo à pauta de votações, não iria longe.
Leia:
Sarney faz homenagem, mas Suplicy insiste em crise
Sarney diz não sentir culpa e reafirma que não sai

“O melhor para o Senado é que ele agora renuncie”, insistiu Suplicy, com o cartão em punho, tendo iniciado o discurso elogiando a vitória do piloto de Fórmula 1 Rubens Barrichello, no último domingo. O pronunciamento não contou com a presença de Sarney, embora Suplicy tenha solicitado isso no início da tarde, quando o peemedebista se preparava para assumir a Mesa.
Mas a tropa de choque de Sarney estava presente. Diante das críticas, o senador Almeida Lima (PMDB-PA), pediu a palavra e chamou quem ataca Sarney de “hipócrita”. “Nunca respondi a um processo diante de Tribunal de Contas nenhum, diante de Parlamento nenhum, diante de Judiciário nenhum. Mas, agora, como membro do Conselho de Ética, ser achincalhado pelos senhores? Eu exijo respeito!”, disse Almeida, que voltou ao plenário só para defender Sarney das acusações.
“E falo aqui com a dignidade moral que tenho. Eu não tive, recentemente, que devolver dinheiro ao Tesouro Nacional, pela conta do Senado Federal, por ato ilegítimo nenhum”, emendou Almeida, referindo-se ao fato de o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), estar devolvendo o dinheiro usado para custear as despesas de um de seus assessores no exterior (motivo que levou o PMDB a pedir investigação no Conselho de Ética). “Os senhores estão enxovalhando a imagem do Senado Federal. O presidente Sarney foi julgado, e o julgamento foi pelo não conhecimento das representações.”
Diante do acirramento do debate, o senador Mão Santa (PMDB-PI), que presidia a Mesa, prorrogou a sessão. Mas a decisão provocou mais um bate-boca no plenário. O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) pediu a palavra para apoiar Suplicy, dizendo que “não acabou a crise no Senado”. “O senhor conseguiu, com um símbolo, expressar o sentimento da população brasileira. Imagino amanhã, as pessoas no Brasil inteiro com cartões contra o presidente Sarney. Com um simples gesto,mais importante do que a fala, vossa excelência conseguiu.”
Integrante da Mesa, o primeiro-secretário, Heráclito Fortes (DEM-PI), saiu em defesa de Sarney e dos supostos esforços administrativos que a Casa estaria colocando em prática.“O seu discurso peca pelo aspecto: ele não é sincero”, disse Heráclito. Suplicy reagiu aos gritos. “Vossa excelência não está falando a verdade, para começar!”
Heráclito voltou à carga. “Por que vossa excelência não assinou o requerimento?”, disse Heráclito, referindo-se ao recurso que o líder do Psol, José Nery (SP), formalizou com um grupo suprapartidário de senadores contestando a postura da Mesa Diretora – que, na última sexta-feira (21), rejeitou o recurso contra a manutenção dos arquivamentos das ações contra Sarney no Conselho de Ética. A troca de insultos levou Mão Santa a intervir, cortando o som dos microfones e ameaçando adiar para amanhã a sessão não deliberativa.

Para Héráclito

O tempo voltou a fechar no Senado. Depois de dar cartão vermelho para o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), o petista Eduardo Suplicy (SP) encarnou o juiz de futebol e “expulsou” também o primeiro-secretário da Casa, Heráclito Fortes (DEM-PI). Tudo porque Heráclito, com uma pergunta contestou as críticas de Suplicy à situação de Sarney na presidência e a operação de salvamento no Conselho de Ética, que salvou o peemedebista de 11 pedidos de investigação.
“O discurso de vossa excelência hoje peca por um aspecto: não é sincero. Vossa excelência está tentando se justificar pelo grande desgaste que, involuntariamente, caiu sobre as suas costas, no final de semana, na opinião pública de São Paulo. E, um marqueteiro que é…”, disse Heráclito, interrompido rapidamente por Suplicy. O senador piauiense se referia ao fato de que foi o voto de três senadores do PT – Ideli Salvatti (SC), Delcídio Amaral (SP) e João Pedro (AM) – que salvaram Sarney no Conselho de Ética.
Heráclito continuou, desta vez querendo saber por que Suplicy não havia assinado o documento por meio do qual o líder do Psol, José Nery (PA), contesta a postura da Mesa Diretora em ratificar a decisão do Conselho. “Contra fatos não há argumentos. Vossa excelência não assinou o recurso que o senador José Nery assinou! Por que vossa excelência não assinou o recurso, se é tão sincero esse seu sentimento de agora?”, emendou Heráclito, para a explosão de Suplicy, aos gritos.
“Porque ele foi expresso de uma maneira oral e expresso inúmeras vezes… Vossa excelência me ouviu, sabe que eu falei a verdade naquele dia, como estou falando hoje de maneira consistente! Me ouviu falar aqui desde o começo de julho: senador José Sarney, recomendo a vossa excelência que se licencie. Falei com ele ali, conforme descrevi há pouco, olho no olho..”, bradou Suplicy, com tapas na mesa da tribuna e extremamente nervoso. “Vossa excelência quer desviar o assunto!”
A discussão continuou em termos nada protocolares. As vozes de Suplicy e Heráclito se confundiam, enquanto Mão Santa (PMDB-PI), em vão, tentava por ordem na sessão, com corte de microfone e ameaça de encerramento. Mas Suplicy voltou a explodir, diante da maneira com que o colega dizia nunca tê-lo visto tão nervoso. “É claro! Quando vossa excelência não age com correção, quando quer me acusar de algo que não é verdadeiro, eu aqui bato na mesa, coloco o cartão vermelho para vossa excelência!”, gritou Suplicy, novamente empunhando o cartão.
Heráclito reagiu com sarcasmo. “Zezinho, por favor, um suco de maracujá para o Senador. Urgente!”, disse, dirigindo-se ao garçom do plenário. E, vendo que Suplicy resistia na tribuna, declarou. “Vossa excelência devia guardar esse cartão vermelho para apontar para o presidente Lula, que é o responsável por essa crise toda. E vossa excelência não teve coragem de lhe apontar o cartão vermelho.”
A sessão continuou aos solavancos, entre bravatas dos dois senadores – que, ao fim da discussão, abraçaram-se em plenário. Na tentativa de dar fim aos insultos, Mão Santa lançava gracejos, e esperava algum senador pedir para fazer pronunciamento. Mas, se deu dois cartões vermelhos, Suplicy recebeu um amarelo do presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini: no lançamento da candidatura de José Eduardo Dutra para o comando do partido, realizado na Câmara dos Deputados, Suplicy foi estendeu a mão para cumprimentar Berzoini, que ignorou o gesto. Diante da recusa, Suplicy deu dois tapinhas no ombro do companheiro de partido e se afastou.

Oposição abandona Conselho de Ética do Senado

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Por Rodolfo Torres i congressoemfoco.com.br
PSDB e DEM anunciaram nesta terça-feira (25) que não fazem mais parte do Conselho de Ética do Senado. A iniciativa dos oposicionistas é uma resposta ao arquivamento de todos os processos que tramitavam no colegiado contra o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP). O arquivamento ocorreu na semana passada.
“Eu, Sérgio Guerra [PSDB-PE] e Arthur Virgílio [PSDB-AM] assinamos a nossa saída do Conselho de Ética em protesto ao arquivamento das denúncias contra Sarney”, anunciou a senadora Marisa Serrano (PSDB-MS) em seu perfil no Twitter.
“Estamos retirando do poder do presidente aquela análise preliminar dos quesitos que permite abrir ou fechar a investigação do modo que lhe dê na cabeça. Com isso, esperamos que o Conselho ganhe vigor e possa concluir de modo célere as investigações e oferecer um parecer contundente pela condenação ou absolvição”, reforçou o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, que era membro titular do Conselho de Ética.
Além de Demóstenes, também deixaram o colegiado os seguintes senadores do DEM: Heráclito Fortes (PI) e Eliseu Resende (MG), que eram titulares; e Antonio Carlos Junior (BA), Rosalba Ciarlini (RN) e Maria do Carmo Alves (SE), que eram suplentes.
O DEM também anunciou que apresentará uma proposta que concede uma cadeira no conselho a cada partido político. A iniciativa, que ainda será debatida com líderes partidários, também determina que o presidente do colegiado não poderá ser suplente de senador ou responder a processos na Justiça.
“Estamos apresentando um novo modelo que esteja comprometido com a ética. Vamos conversar com todos os partidos políticos porque acreditamos que a investigação, se necessária, deve ocorrer de forma profunda”, afirmou o líder do DEM, José Agripino (RN).

Governo gasta sete horas com aposentados sem oferecer proposta de aumento

terça-feira, 25 de agosto de 2009

congressomfoco.com.br
Representantes do governo federal ficaram das 11h às 18h desta segunda-feira (24) reunidos com aposentados, mas não ofereceram uma proposta concreta de aumento para os funcionários inativos. A reunião deve recomeçar amanhã às 18h.
Entretanto, a Câmara pode votar amanhã mesmo o PL 1/07, que aumenta os benefícios dos aposentados na mesma proporção do salário mínimo. O presidente da Casa, deputado Michel Temer (PMDB-SP), prometeu levar a matéria ao Colégio de Líderes na terça-feira (25) se não houvesse acordo nesta segunda entre aposentados e governo.
Segundo a assessoria da Secretaria Geral da Presidência da República, as negociações estão sem conclusão, mas o governo fez duas propostas que não mencionam nenhum índice de aumento. A primeira é que o futuro reajuste seja feito em 2010 e também em 2011. A segunda é incorporar na base de cálculo da aposentadoria os períodos em que os funcionários estavam recebendo seguro-desemprego.
Acordo com aposentados perto do fracasso

Governo gasta sete horas com aposentados sem oferecer proposta de aumento

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Oposição abandona Conselho de Ética do Senado

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Suplicy dá cartão vermelho a Sarney e a Heráclito

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Marina Silva sai do PT e deve se filiar ao PV

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Marina Silva sai do PT e deve se filiar ao PV

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Por Mário Coelho – congressoemfoco

A senadora Marina Silva (PT-AC) acabou com o mistério. Ela anunciou há pouco que vai sair do PT, partido que ajudou fundar no Acre e no qual construiu toda sua carreira política, após 30 anos de militância política. A ex-ministra do Meio Ambiente sinalizou que vai se filiar ao Partido Verde, legenda que a convidou para concorrer à Presidência da República em 2010.
Apesar de já ter comunicado a decisão à direção petista, Marina ainda não preencheu sua ficha de inscrição no PV, o que tende a ocorrer nos próximos dias. “Não se trata mais de fazer embate dentro de um partido em que eu estava há cerca de 30 anos, mas o embate em favor do desenvolvimento sustentável”, afirmou.
O anúncio foi feito por Marina logo após sessão da Comissão de Meio Ambiente do Senado. De acordo com a senadora acreana, a decisão de sair do PT consumiu muito tempo e energia e foi um processo muito doloroso. Na semana passada, ela havia dito que, antes de decidir seu futuro político, conversaria com os colegas de partido no Acre, especialmente o governador Binho Marques e o ex-governador Jorge Vianna.
“Cheguei à conclusão de algo muito semelhante ao que fiz há 35 anos, quando decidi, aos 16 anos, sair do seringal Bagaço”, afirmou Marina. Ela compara a saída do PT ao período em que seu sonho era cuidar da saúde e estudar. Filha de seringueiros, a senadora só foi alfabetizada aos 16 anos.
“Não foi fácil, mas eu tive a coragem de fazer o pedido ao meu pai que deu sua anuência e eu fui para Rio Branco. Uma decisão difícil. Recorro a essa história para dizer como cheguei à decisão de me desligar do Partido dos Trabalhadores”, afirmou Marina.
A senadora informou sua decisão esta manhã, por telefone, ao presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP). Marina também enviou carta ao partido oficializando seu desligamento. Entretanto, ela diz que ainda não aceitou o convite do PV e que vai conversar com os dirigentes partidários nos próximos dias.
Marina afirmou que, por enquanto, não há nada concreto sobre sua pré-candidatura à presidência da República. “Neste momento, eu devo dizer que não se trata ainda de anunciar a filiação a outro partido. A partir de agora, me sinto livre pra fazer essa transição. Vou começar a conversar com o PV, respeitando o prazo para filiações partidárias”, afirmou.

Divergências com Sarney levam Mercadante a por cargo à disposição

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Por Fábio Góis – congressoemfoco.com.br
O líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), anunciou há pouco que, se o bloco de apoio ao governo insistir em emplacar mais dois aliados do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), no Conselho de Ética – o líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR) e Roberto Cavalcanti (PRB-PB) – colocará à disposição tanto o cargo na liderança da bancada quanto da base aliada.
“Eu me recuso a fazer esse tipo de coisa. Se quiserem fazer isso, que façam com outro líder. Eu coloco o cargo à disposição”, avisou Mercadante, que tem enfrentado desgaste junto ao Planalto ao conduzir a posição do partido em relação ao afastamento de Sarney da Presidência do Senado.
A troca seria operada porque dois dos integrantes petistas no Conselho de Ética – Delcídio Amaral (MS) e Ideli Salvatti (SC) – se recusavam a votar contra o desengavetamento dos 11 pedidos de investigação contra Sarney. Ambos são candidatos: Ideli ao governo de Santa Catarina e Delcídio à reeleição no Senado; do ponto de vista eleitoral, votar pelo manutenção do arquivamento seria uma postura comprometedora, diante do desgaste de Sarney perante a opinião pública.
A solução seria indicar dois nomes que, alinhados a Sarney, reforçassem o apoio ao peemedebista no colegiado – caso de Jucá e Cavalcanti – e votassem pela manutenção dos arquivamentos. A manobra tem caráter preventivo: somados aos cinco nomes oposicionistas (três do DEM e dois do PSDB), três nomes do PT contra Sarney (o outro petista é o amazonense João Pedro, que é a favor das investigações) representaria derrota para o governo em um Conselho com 15 integrantes.

Em plenário, senadores petistas saíram em defesa de Mercadante. Eduardo Suplicy (SP) disse que a bancada mantém a posição sobre a situação de Sarney no comando da Casa, com pleno apoio ao senador petista.

Ao telefone com Mercadante, Paulo Paim (RS) dirigiu-se à Mesa e, sem desligar o aparelho, fez questão de reportar o apoio dos petistas ao líder. Disse que, em nenhum momento, qualquer senador do PT pressionou Mercadante para impor as trocas. Augusto Botelho (PT-RR) declarou que Mercadante mantém uma “postura muito firme, mantendo a ética em suas ações”.

“Disso e repito hoje que ele tem sido fiel, competente, ético em relação à posição da bancada”, declarou da tribuna Flávio Arns (PT-PR), que havia repetido o gesto de Paim ao telefone. “Se nós nos curvarmos diante de uma presssão, será um suicídio de um partido que não está em sintonia com a sociedade, na busca da ética”, completou o senador paranaense, repetindo o que havia dito mais cedo Pedro Simon (PMDB-RS).

Ex-secretária da Receita Federal diz não ter sofrido pressão de Dilma

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Por Mário Coelho – congressoemfoco.com.br
A ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira afirmou  no seu depoimento na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, que não sofreu qualquer tipo de pressão da ministra Dilma Rousseff. Mais cedo, Lina disse que a chefe da Casa Civil havia pedido que ela agilizasse um processo em andamento contra o filho do presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP).
“Em nenhum momento, após a reunião, ela voltou a me procurar. Só fez o pedido na reunião e não voltou a falar no assunto”, disse Lina aos senadores. A ex-secretária afirmou que na época do encontro realmente interpretou que deveria agilizar o processo do filho do senador José Sarney e que poderia haver interesse político no pedido. Mas negou ter outras provas.
Para membros da base aliada, Lina entrou em contradição no seu depoimento. A líder do governo no Congresso, Ideli Salvati (PT-SC), considerou que, durante o depoimento, a ex-secretária teria a obrigação de apresentar provas do encontro. Já o líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (SP), disse que, caso não tenha mentido, Lina cometeu crime de prevaricação por não ter denunciado, na época, o suposto pedido da ministra.
Na avaliação do senador José Agripino (DEM-RN), não há recuo ou contradição entre o que Lina Vieira havia dito ao jornal Folha de S. Paulo e o que declarou hoje na reunião na CCJ. Para o senador, o mais importante nessa questão é descobrir se o governo federal tentou utilizar a ex-secretaria para favorecimento político. Quanto à comprovação da reunião entre Lina Vieira e Dilma, basta localizar as imagens do circuito interno de TV do Palácio do Planalto, sugeriu o oposicionista.
Já o tucano Tasso Jereissati (CE) disse que Lina foi tratada de forma “agressiva e hostil” por alguns senadores da base de apoio ao governo. “Não se sinta intimidada”, disse o senador do PSDB. “Se uma pessoa quer ser presidente, não pode faltar com a verdade. Estamos aqui tratando da questão da mentira no meio público. Essa é uma questão moral. Outro problema é a impessoalidade do serviço público, que pode ter sido quebrada quando a Casa Civil faz um pedido específico sobre esse ou aquele contribuinte”, afirmou Tasso.

Ex-secretária da Receita Federal diz não ter sofrido pressão de Dilma

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Divergências com Sarney levam Mercadante a por cargo à disposição

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Avaliação neuropsicológica

sábado, 15 de agosto de 2009

A Dra. Nazareth Ribeiro, respeitada psicoterpeuta publicou em seu site importante matéria sobre a avaliação neuropsicológica.
A avaliação neuropsicológica é utilizada para a realização do Diagnóstico Diferencial ou para documentação, acompanhamento terapeutico e/ou para fins legais, isto em casos de diagnósticos conhecidos.
A Avaliação Neurosicológica é realizada através da aplicação de testes objetivos e subjetivos específicos, realizados por um profissional especializado na área da Psicologia.
A Neuropsicologia é uma disciplina científica que se ocupa das relações cérebro/funções cognitivas, ou seja, das funções cognitivas e suas bases biológicas. Esta ciência tem o caráter interdisciplinar e trabalha para estabelecer uma relação entre os processos psicológicos e o funcionamento cerebral e comportamental.
Através do resultado dos testes, em conjunto com o diagnóstico clínico decorrente da observação, investigação, coleta de dados da história do cliente, e outros exames complementares se necessário, é possível  identificar dificuldades ligadas à atenção, concentração, memória e hiperatividade, como no caso dos Transtornos de Atenção e Hiperatividade (TDAH), outros transtornos, nos traumatismos crânio-encefálicos e em quadros demenciais .
A Avaliação Neuropsicológica é fundamental para o embasamento da terapia destes quadros, escolha da abordagem mais indicada a ser utilizada no processo terapêutico para seu tratamento, encaminhamento para outros profissionais para o tratamento multidisciplinar se houver necessidade e no processo de Reabilitação Cognitiva.
Uma Avaliação Neuropsicológica completa envolve várias áreas, tais como:
– Inteligência global
– Memória verbal e visual (aquisição, retenção e recuperação)
– Memória implícita (casos especiais)
– Capacidade de aprendizado novo
– Atenção (amplitude, rastreamento, seletividade, alternância e sustentação)
– Linguagem expressiva e receptiva;
– Fluência verbal fonética e semântica
– Abstração;
– Habilidades visuo-perceptivas e visuo-construtivas
– Gnosía
– Destreza visuo-motora
– Força muscular
– Nível de conhecimentos gerais
– Capacidade de formular hipóteses e de modificá-las (flexibilidade cognitiva).

Um exame neuropsicológico pode durar de 01 até 08 horas, e são realizadas sessões em diferentes dias. O número de testes empregados pode chegar a 30, dependendo do que se deseja investigar. Ele pode ser solicitado pelo médico, psicólogo ou fonoaudiólogo que acompanha o caso, devendo ser realizado por profissionais especializados e experientes na área.

Nazareth Ribeiro – www.nazarethribeiro.com.br
Psicoterapeuta Psicossomaticista Especialista em Clínica e Educação.
Coaching Vocacional e Orientação Profissional.
Coaching TDAH.
Palestrante.

Avaliação neuropsicológica

sábado, 15 de agosto de 2009

Cirurgia Plástica X Cicatrizes: Técnicas de camuflagem.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Publicadono site www.drashirleydecampos.com.br

Fazer uma cirurgia plástica e corrigir aquele “defeitinho” que tanto incomoda é um desejo da maioria das pessoas, principalmente as mais vaidosas. Entretanto, o que muitos não sabem é que, a cirurgia plástica não realiza milagres, e esquecem que todas as cirurgias plásticas deixam como “brinde”, uma cicatriz. Isso acontece porque a cicatriz é gerada pelo corte feito na pele, e independente do tipo de sutura utilizada para juntar novamente a pele, o resultado final será, irremediavelmente, uma cicatriz. Mesmo com as mais modernas técnicas de sutura e até mesmo o uso das chamadas “colas biológicas” não tem como escapar desse fato.
Segundo a Dra Deusa Pires Rodrigues, especialista em Cirurgia Plástica e Membro Efetivo da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, o que os cirurgiões buscam é minimizar os efeitos das cicatrizes, buscando coloca-las em locais pouco visíveis ou então coincidindo com as chamadas “linhas de forças naturais”, que são as marcas já existentes no corpo, ou nos lugares que ficarão cobertos por biquínis e/ou sungas ou por pêlos e cabelos.
No quesito cicatrizes existem algumas modalidades cirúrgicas que aparentemente não deixam nenhuma marca, tais como as cirurgias de nariz e queixo, porque nestes casos as cicatrizes ficam por dentro do nariz e da boca. Existem ainda áreas favoráveis a uma cicatrização mínima, como por exemplo, em algumas regiões do rosto, preferencialmente as pálpebras. Além da cicatrização mínima, esse procedimento é favorecido pela presença do sulco natural dos olhos, que é exatamente onde se “esconde” a suave cicatriz. Outro exemplo de cicatriz ocultada por sulcos naturais é a cirurgia de orelha, onde a incisão é feita bem na fenda natural, dando a impressão que não existe nenhuma cicatriz por ali. A colocação de próteses nas nádegas também segue essa regra: a incisão é feita na prega interglútea.
Já outras regiões são favoráveis por causa da diferença de cor, como no caso das mamas. Então as cicatrizes ficam exatamente na transição da aréola (parte mais escura do peito) com a pele mais clarinha, e dessa forma ficam imperceptíveis. Alguns procedimentos, no entanto, são particularmente, favoráveis no quesito cicatriz. A lipoaspiração lidera o ranking, até porque suas incisões têm apenas 4 mm e podem ser localizadas em áreas normalmente cobertas (marca do biquíni). Entretanto, é sempre bom lembrar que a lipoaspiração não é método de emagrecimento, e em alguns casos não resolve o problema de excesso de gordura na barriga, sendo necessário primeiramente perder peso e posteriormente a realização de outro tipo de cirurgia para remoção das sobras de pele.
As cirurgias que deixam as incisões mais evidentes são a mamoplastia (redução ou elevação das mamas), cicatriz em forma de T invertido, e a abdominoplastia (remoção de pele e gorduras abdominais), que geralmente deixa uma incisão que vai de um lado ao outro na região do quadril. Nesses casos o médico deve deixar bem claro aos pacientes quanto ao resultado final para que se avalie a relação custo/benefício desse procedimento. “É fundamental analisar bem se o problema que a leva a submeter-se a cirurgia, incomoda mil vezes mais que a possibilidade de uma cicatriz mesmo que visível”, comenta a Dra. Deusa.

Cirurgia Plástica X Cicatrizes: Técnicas de camuflagem

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

DEM quer imagens do circuito interno de TV da Casa Civil

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Por Mário Coelho – congressoemfoco.com.br
O líder do DEM na Câmara, Ronaldo Caiado (GO), protocolou nesta quinta-feira (13) um requerimento solicitando à Presidência da República as imagens do circuito interno de segurança da Casa Civil. O objetivo do partido é saber se a ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira realmente teve uma reunião com a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Enquanto Lina confirma, Dilma diz que o encontro nunca aconteceu.
Além disso, os democratas querem também as panilhas com o registros de todos os veículos que entraram nas garagens do Palácio do Planalto. Inicialmente, o pedido requer as imagens do mês de dezembro do ano passado. Entretanto, como a ex-secretária não precisou a data do encontro, o DEM estuda ampliar o período para novembro também.
Protocolado hoje, o requerimento será encaminhado pela Secretaria Geral da Mesa da Câmara nos próximos dias ao Planalto, que teria 30 dias para responder.
“Queremos saber também se Dilma tem uma agenda em off, que marque os encontros não oficiais”, disse Caiado. De acordo com o líder do DEM, Dilma tem um currículo que “não condiz com a verdade”. Ele aponta como razões a baixa execução das obras do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC) e o fato de o site da Casa Civil informar, até recentemente, que ela tinha doutorado pela Universidade de Campinas (Unicamp). Após desmentido da universidade, a ministra admitiu que não concluiu o curso.

Ele acrescenta que, até o momento, não existe qualquer prova que a ex-secretária tenha mentido em qualquer momento da sua vida pública. “Não tem nada que ponha em dúvida a versão da ex-secretária. Mas queremos saber se o encontro realmente ocorreu”, afirmou.
Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, Lina disse que a ministra pediu para que fosse concluída rapidamente a auditoria que a Receita fazia nos negócios da família Sarney. Dois dias depois, a ex-secretária acrescentou que entrou pela garagem do Planalto sem identificação porque o encontro era sigiloso. Dilma a desafiou, dizendo que “a gente não afirma, a gente prova”.

Descobertos mais 468 atos secretos no Senado

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Descobertos mais 468 atos secretos no Senado

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Por Fábio Góis – congressoemfoco.com.br

A noite desta quarta-feira (12) reservou uma surpresa para quem esperava, ao menos no médio prazo, a calmaria no Senado. Depois da notícia, ainda no primeiro semestre, de que mais de 500 atos administrativos secretos tinham sido emitidos desde 1996 pela cúpula da Casa, uma reportagem da TV Globo trouxe à tona a constatação que mais 468 documentos clandestinos foram formalizados para fins e setores diversos. Alguns desses atos alteraram estruturas de áreas como serviço médico, telefonia, biblioteca, segurança e comunicação, e dispõem inclusive sobre a folha de pagamento dos servidores.

Comissão aponta 663 atos secretos desde 1996
A descoberta pegou de surpresa até o primeiro-secretário do Senado, Heráclito Fortes (DEM-PI). Responsável, entre outras atribuições, pelo controle das movimentações no funcionalismo, Heráclito disse ao Congresso em Foco que a notícia lhe foi reportada pelo comentarista de política da TV Globo, Heraldo Pereira. “Se está na mão, não vamos esconder nada. Não tem jeito”, disse Heráclito, informando que o repórter foi à Primeira Secretaria com cópias dos registros.

Antes de deixar o Senado nesta quarta-feira, Heráclito determinou abertura de inquérito para apurar a irregularidade. Para tanto, o senador piauiense contará com as informações até agora levantadas pela comissão de sindicância instaurada para examinar os primeiros registros, em maio.
Emitidos entre 1995 e 2000, os documentos não publicados teriam servido para contratação e exoneração de parentes e aliados, criação de cargos e concessão de benefícios salariais, entre outros propósitos. Mas, segundo Heráclito, nada têm a ver com briga entre governo e oposição ou vínculo com a gestão de José Sarney (PMDB-AP) à frente da Casa. “Não acho que ele [Sarney] esteja envolvido nisso. Isso é uma sabotagem interna, uma crise interna de servidores”, opinou.
De fato, causa estranheza a constatação de que os 468 atos clandestinos tenham sido postados, no Boletim Administrativo de Pessoal, no dia 29 de maio deste ano – poucos dias depois de vir à tona a notícia, pelo jornal O Estado de S.Paulo, sobre a descoberta dos primeiros 300 atos sigilosos, agravando a crise institucional instalada desde que Sarney tomou posse, em fevereiro. Com a descoberta de hoje, e considerando-se o número inicial apontado pela comissão de sindicância, sobe para 1131 o número de atos sigilosos descobertos.
Segundo o material obtido pela equipe do Jornal da Globo, o ex-senador e então primeiro-secretário do Senado Ronaldo Cunha Lima, da Paraíba, beneficiou-se de um dos documentos emitidos sem publicidade para nomear o próprio filho, em típico caso de nepotismo – prática vedada pela Súmula Vinculante nº 13, do Supremo Tribunal Federal. Em observância aos princípios da publicidade, impessoalidade e moralidade na administração pública, a formalização de atos sem o devido registro formal é proibida pela Constituição de 1998.

Política DEM quer imagens do circuito interno de TV da Casa Civil

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Chantagem e vingança agravam crise no Senado

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Por Mário Coelho – congressoemfoco.com.br
Tropa de choque de Sarney intimida senadores que pedem seu afastamento da presidência com ameaça de revelações de atos supostamente comprometedores. Embate com tucanos tem sabor de revanche para Renan
Gim Argello (dir.) acredita que a situação está pior e, por isso, propôs reunião para apaziguar os ânimos
Desde que o Senado passou a enfrentar a crise gerada por uma sucessão de denúncias, três palavras têm sido constantemente repetidas nos bastidores e nos microfones pelos parlamentares: chantagem, máfia e vingança. Juntas, elas lançam uma luz sobre os motivos que resultaram na troca de xingamentos ocorrida ontem (6) entre o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), e o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE). A combinação tem servido para agravar ainda mais a tensão política na Casa.
A partir do momento em que o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), tornou-se alvo de denúncias nos jornais, a oposição recorreu a discursos e representações para forçar o peemedebista a deixar o cargo. Ao subir o tom das investidas, os opositores não esperavam, entretanto, que aliados de Sarney virassem o jogo e partissem com toda força ao ataque.
“O clima é de chantagem, de intimidação”, afirmou ao Congresso em Foco o senador José Nery (Psol-AL), um dos líderes informais do bloco suprapartidário que pede a saída de Sarney da presidência. A resposta é uma referência à tática de centrar fogo na oposição utilizada por aliados do peemedebista. “Senadores estão sofrendo chantagens aqui. Conclamo a eles que venham a público explicitar essa situação”, discursou o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) em plenário ontem.
Pelo menos quatro senadores receberam recados de aliados de Sarney. Caso não baixassem o tom dos discursos, sofreriam com representações no Conselho de Ética do Senado. São eles: Cristovam, Tasso, Alvaro Dias (PSDB-PR) e Sérgio Guerra (PSDB-PE). Nenhum deles, entretanto, admite explicitamente a pressão. “O Renan inclusive mandou um bilhete para a gente hoje [ontem] dizendo que não estava fazendo nada nesse sentido”, respondeu Alvaro.
Cristovam Buarque, porém, admitiu ao Congresso em Foco que “todos estão sendo chantageados”. “Ou, pelo menos, pré-chantageados”, observou. O pedetista explicou que “insinuações” com relação a supostas irregularidades envolvendo a oposição são ventiladas nos bastidores. A intenção é intimidar os parlamentares. Mesmo assim, ele voltou a defender a renúncia do peemedebista da presidência. “Se continuar do jeito que está, o clima vai pegar fogo, vai continuar o ano inteiro assim.”
“Não pensem que chegarão aqui, atacarão um presidente, eleito pelo PMDB, que tem toda uma história, e achar que vamos ficar calados”, retrucou, da tribuna, o senador Wellington Salgado (PMDB-MG). Apontado como um dos membros da tropa de Renan, ele, entretanto, negou que estivesse produzindo dossiês contra os colegas. Mas deixou claro que o plenário pode ser usado outras vezes como palco para discussões entre aliados e opositores.
O líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), comentou sobre as supostas chantagens na terça-feira (4). Em discurso no plenário, o tucano afirmou que os aliados de Sarney começariam a levantar denúncias sobre o mandato dos rivais. “Se o senador Jereissati não se comportar bem, aí vamos falar naquele negócio do combustível do senador Jereissati; se o senador Jarbas Vasconcelos exagerar, vamos ver se o senador Jarbas fez alguma viagem inconveniente; se o senador beltrano de tal não sei o quê… Vamos ver o que as tais fichas dizem de quem, se o senador Cristovam empregou não sei quem não sei onde; se o senador Pedro Simon fez”, discursou. Alvaro Dias antes, em entrevista ao site Terra Magazine, qualificou Sarney e Renan como “mentores do grupo com tática da máfia napolitana”.
Um dos vice-líderes do governo no Senado, Gim Argello (PTB-DF) também é visto como aliado de primeira hora de Sarney. Gim disse ao site que a discussão de ontem deixou a Casa numa situação ainda pior com as agressões verbais de Tasso e Renan. “O Conselho de Ética é o lugar de se discutir com mais calma tudo isso. Propus que fizéssemos uma comissão de cinco senadores para apaziguar os ânimos.”
Mas o dia de hoje pode trazer mais confrontos entre os senadores que ficaram em Brasília. O presidente do Conselho de Ética, Paulo Duque (PMDB-RJ) prometeu publicar o arquivamento das denúncias restantes contra Sarney e Renan. Ele disse à TV Globo que não haverá sessão por conta das discussões acaloradas da última quarta-feira (5).

Estrutura
Além das denúncias envolvendo Sarney e do comportamento de seus aliados, parlamentares ouvidos pelo Congresso em Foco apontam outros problemas que levam a esse estado constante de tensão e confronto no Senado. “A estrutura é arcaica, está apodrecida”, declarou Nery. O líder do Psol considera que as sucessivas crises na Casa são frutos de brigas internas de grupos de servidores. “Não tem lógica uma Casa com 81 senadores ter 10 mil funcionários”, destacou, complementando que uma reforma interna do Senado é indispensável. “Para alguma coisa essa crise tem de servir.”
Cristovam tem a mesma opinião. Para ele, a simples saída de Sarney não resolve os problemas da Casa. Ele acredita que, depois, é preciso “mudar o grupo que manda há 15 anos no Senado”. Para que isso aconteça, líderes de cinco partidos e senadores de outras legendas assinaram um manifesto divulgado ontem, mais uma vez pedindo o afastamento do presidente (leia mais).
A tática da oposição, mesmo com os revezes no Conselho de Ética, continuará basicamente a mesma. Os oposicionistas apresentarão recursos tanto no colegiado quanto no plenário. A esperança desse grupo de senadores é que, na última instância, as inquietações veladas contra a atual administração se manifestem no voto, propiciando a abertura de um processo investigatório político contra o peemedebista.
Também vão tentar envolver a sociedade civil nas discussões. Após reunião na manhã de ontem no gabinete de Cristovam, os senadores decidiram organizar um evento “em prol da instituição”. A tendência é que ele ocorra já na próxima semana. “Vamos discutir com setores da sociedade. As ruas precisam acordar para o que está acontecendo”, explicou o líder do Psol.

Vingança
O ano de 2007 foi ruim politicamente para Renan Calheiros. Denúncia da revista Veja apontou que as contas da jornalista Mônica Veloso, com quem teve uma filha, teriam sido pagas por Cláudio Gontijo, lobista da construtora Mendes Junior, em dinheiro vivo. O peemedebista tentou se defender, alegando que tinha feito os pagamentos com recursos próprios. Mas a defesa acabou sendo derrubada pelo advogado de Mônica, Pedro Calmon Filho. E as justificativas apresentadas pelo alagoano para justificar seus rendimentos acabaram por envolvê-lo ainda mais.
Por causa das denúncias, Renan foi obrigado a renunciar à presidência do Senado. Enfrentou, ainda, uma série de processos de cassação por falta de decoro parlamentar, mas acabou escapando após votação em plenário. No ano seguinte, ficou à sombra dos colegas, esperando o momento de retomar as articulações políticas. Em 2009, tem sido bem sucedido: voltou a ser líder do PMDB na Casa e foi o principal articulador da campanha de Sarney à presidência.
“Existe uma série de sentimentos acumulados. E o que aconteceu em 2007 é um deles”, disse Alvaro Dias. Ao alvejar especialmente os tucanos, Renan tenta se vingar do processo que passou na Casa. E, de quebra, se fortalece novamente como um dos principais articuladores do PMDB.

Senador Pedro Simon culpa Lula pela crise no Senado

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Por Mário Coelho – cobgressoemfoco.com.br

O arquivamento de algumas representações no Conselho de Ética foi vitória de Lula’, diz Simon
Após a tumultuada sessão de quinta-feira, os senadores voltaram hoje (7) a pedir a saída do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), do cargo. E ainda fizeram críticas ao Palácio do Planalto pela atuação na defesa da manutenção do peemedebista na presidência da Casa.

Da tribuna, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) afirmou que o presidente Lula prefere ouvir o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), Fernando Collor (PTB-AL) e Sarney, do que outros políticos. Ele falou isso ao discursar sobre a “perda de valores e de referências” do Senado e na política e elogiar o vice-presidente José Alencar.
“Vamos deixar claro: o arquivamento de algumas representações no Conselho de Ética não foi vitória de Renan, Sarney ou Collor, foi de Lula. O presidente Lula insistiu que Sarney fosse presidente do Senado. Agora também foi Lula que atuou e, humilhando seu próprio partido, ganhou a partida. Isso é soberba, ele está se achando acima do bem e do mal. Lula ainda é uma grande referência nacional e internacional, mas está tocado pela vaidade”, disparou.
Já o petista Eduardo Suplicy (SP) pediu que Sarney saia da presidência enquanto as denúncias contra ele são investigadas. “Será próprio que o presidente Sarney dialogue conosco sobre o tema. Minha recomendação é a mesma de milhões de brasileiros: para seu próprio bem, para o bem do Senado, que ele demonstre grandeza e se afaste da presidência enquanto os fatos estão sendo investigados e apurados”, afirmou.
Enquanto Suplicy voltava a pedir a saída de Sarney, Cristovam Buarque (PDT-DF) discursava pela mobilização da sociedade civil em torno do tema. Para ele, só será possível mudar o Senado se houver pressão externa nos senadores. “Onde estão os estudantes? Talvez tenha chegado a hora de se mobilizarem pela ética no Senado”, disse.

Chantagem e vingança agravam crise no Senado

sexta-feira, 7 de agosto de 2009