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“O prefeito Zito deu um tiro no pé”, critica líder do Movimento de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transsexuais

Por Camila Souza Ramos – revistaforum.com.br
Cerca de 150 mil pessoas que saíram às ruas de Duque de Caxias para participar da 4ª Parada do Orgulho LGBT da cidade ficaram a ver navios no último domingo, 11. O prefeito da cidade, José Camilo Zito (PSDB), proibiu a realização da manifestação na avenida Brigadeiro Lins e Silva, onde tradicionalmente ocorrem as paradas. A proibição gerou protestos imediatos e, para Julio Moreira, do grupo Arco-Íris, que participa da organização da parada, a atitude foi “um tiro no pé”.

A repercussão da decisão foi imediata e diversas entidades e movimentos sociais já manifestaram repúdio ao prefeito de Duque de Caxias. A parada da cidade é a segunda maior do estado do Rio de Janeiro e sétima do país, e nunca antes houve qualquer impedimento formal para a sua realização.
Ao chegarem na avenida com os trios elétricos, Moreira conta que os manifestantes depararam-se com forte aparato policial. “Não recebemos notificação nenhuma. Na hora, parecia uma praça de guerra, porque eram muitos carros da polícia, algo totalmente desnecessário”, diz. A ordem de impedimento foi comunicada verbalmente aos manifestantes pelo secretário de segurança.

Mobilização
A proibição, segundo Moreira, vai contra o crescimento que os ideais do movimento LGBT vêm conquistando na sociedade. “Temos conseguido avanços motivados pela visibilidade das paradas do Orgulho Gay no Brasil. É o movimento que mais mobiliza gente no país. No total, chega à marca de 10 milhões de pessoas em diversos lugares”, avalia.
A popularidade do movimento, segundo Moreira, é resultado da forma de articulação do grupo. “Nós conseguimos casar a questão política com a ludicidade. Isso vem renovar o modo de fazer reivindicações porque envolve alegria. Com isso, a gente consegue congregar pessoas de diversas idades e orientações sexuais distintas”conta. O caráter lúdico da manifestação não oculta seus objetivos políticos. Segundo Moreira, foram elas que fizeram os setores políticos atentarem para o grupo LGBT e realizarem políticas públicas efetivas.
O coordenador do grupo Arco-Íris afirmou que, caso o prefeito não volte atrás nem aceite negociações com os grupos LGBT, o Grupo Pluralidade e Diversidade de Duque de Caxias (GPD) e todo o movimento abrirá um processo contra o prefeito. Este é o primeiro ano do terceiro mandato de Zito. “Queremos que seja cumprida a lei 3406/2000”, defende Julio, citando a norma que penaliza estabelecimentos localizados no estado do Rio de Janeiro que discriminem pessoas em virtude de sua orientação sexual. “Lógico que vamos tentar dialogar com o prefeito, mas já entramos em contato com o Ministério Público e a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil)”.

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Um comentário para ““O prefeito Zito deu um tiro no pé”, critica líder do Movimento de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transsexuais”

  1. ? Jocimar da Silva Jardim disse:

    Realmente, uma falta de respeito, nem Deus faz acepçao de pessoas, cada um faz o que acha o que é certo, no dia do juizo final, só prestarao conta a um,Deus.